Matéria prima


Clarisse Escorel

No mês em que completamos um ano de pandemia é difícil pensar em outro assunto diante do absoluto descalabro em que nos encontramos; do número crescente de mortes, 294.115 até o momento em que escrevo; e do cenário dantesco que se descortina.


Como escreveu Vinicius de Moraes em seu Samba da Bênção “a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste não”, mas por ora, seguimos entristecidos.

Nesse contexto sombrio, à primeira vista, falar de cultura, de economia criativa e do impacto da pandemia nesse setor pode parecer inoportuno, mas me parece que essa é uma impressão errada. Entre outras razões pelo papel fundamental que cultura, nas suas mais diversas manifestações, vem desempenhando nos últimos doze meses.


Chama a atenção, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista cultural, a potência de um país como o Brasil, decorrente, em grande medida, dos seus recursos naturais, da sua fundamental miscigenação e das nossas diversas e tão ricas manifestações culturais cuja cri