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Mano Elói, um edificador de Escolas de Samba



Embarcando na atmosfera carnavalesca, vamos falar de Samba. Mais precisamente de um senhor chamado Elói Anthero Dias, mais conhecido como Mano Elói, o primeiro ‘Cidadão Samba’ do país. Circula pelas Redes um oportuno artigo do mestre, pesquisador e escritor Sormani da Silva, intitulado “Um semeador de Escolas de Samba”. Segue o robusto parágrafo de abertura do artigo, pra iniciar na matéria quem ainda desconhece essa celebridade:


“Nascido em Engenheiro Passos, no Vale do Paraíba, em 1889, Mano Elói chegou à cidade do Rio de Janeiro com 15 anos, fixando-se como vendedor de balas ao lado do seu tio, Zé das Colunas, nas imediações do Campo de Santana. A trajetória de Mano Elói está ligada a uma profunda mudança social que aconteceu na sociedade brasileira no fim do século XIX: a abolição da escravidão. Neste contexto, um significativo fluxo de populações, que historicamente estavam ligadas ao trabalho rural, migrou para os principais centros em busca de oportunidades de trabalho.


A crise do sistema produtivo do velho Vale do Paraíba, interior do Estado do Rio, e de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo potencializou o processo migratório que teve como destino cobiçado o Distrito Federal. Uma pesquisa realizada pela Fundação Leão XIII1, em 1950, para fins de política pública, confirmou que na Favela da Barreira do Vasco, diversas famílias vieram dessas regiões. No debate sobre o crescimento das favelas na cidade, muitos alertavam a necessidade de políticas que garantissem uma vida digna para fixar essas populações em seus Estados de origem. Mas a questão migração para os principais centros se intensificou com o processo de desenvolvimento do país”.


Artigo completo no link:

Engenheiro Passos é distrito de Resende,  onde moro há mais de trinta anos e devo dizer que aqui não é uma cidade em que o Samba tenha lá grande destaque. Quando cheguei ainda assisti desfiles de escolas de samba locais. Mas isso me parecia mais uma manifestação ligada diretamente ao Carnaval. No correr do ano quase não se via o Samba ocupando espaços. Hoje nem Escolas de Samba existem mais. Alguns blocos resistem com suas batucadas. Mas a grande maioria, também umbilicalmente ligados ao Carnaval. A presença do povo preto e sua cultura na região, parece que vai se apagando. 


Mano Elói chegou no Rio ainda garoto, o tempo passou, se tornou um trabalhador reverenciado em meio a estiva dos cais do porto, foi um respeitado Pai de Santo, sendo o primeiro a gravar em disco um ponto de Umbanda (pela gravadora Odeon), fundou a ‘Escola de Samba Deixa Malhar’, foi o primeiro ‘Cidadão Samba’ do país, jogava capoeira, comandava rodas de samba, incentivou a criação de outras agremiações como a Mangueira e é pedra fundamental na fundação da atual Império Serrano, entre outras façanhas. 


O mestre Sormani da Silva mais uma vez coloca o holofote sobre esse personagem gigante da nossa cultura popular, que deve ser motivo de orgulho da gente daqui do Sul Fluminense. Conheci o Sormani há alguns anos na Feira Literária de Resende (FLIR) quando ele veio lançar seu livro Escola de Samba Deixa Malhar – Batuques e outras sociabilidades no tempo de Mano Elói na Chácara do Vintém entre 1934 e 1947, que é a sua dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Relações Étnicorraciais no Centro Federal de Educação Tecnológica.


O livro é dedicado à sua mulher e filhos e à sua avó, dona Celina da Silva, que foi baiana da Estação Primeira de Mangueira e quem o iniciou nos batuques. E eu me orgulho de possuir um exemplar autografado pelo autor. E viva o Samba, Viva Mano Elói. E vamos pra rua que já é Carnaval.


 

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