Mais ciência mas com sensibilidade


Ao longo da história o estudo da filosofia e o da filosofia natural- mais tarde chamada ciência - esteve ora mais próximo, ora mais distante, um do outro. A partir do século XVII com a rápida evolução da chamada Revolução Científica, o fosso se ampliou e aqueles que se dedicavam a um ou a outro ramo foram se afastando e mesmo se inimizando. Ao não reconhecer coisas outras senão as que lhe mostravam seus sentidos e focar seus estudos cada vez mais em temas super específicos, os cientistas foram construindo um mosaico incompleto de causas e efeitos. Mesmo visões teóricas unificadoras, como a de Isaac Newton (1642/1726), após algum tempo, iam sendo minadas por questionamentos e experimentos marginais, que, ao final, levavam a nova queda de paradigma e novo reinício. A ciência como explicadora de tudo, a partir de certo ponto passou a ser relativizada por sábios que somavam ao seu conhecimento uma boa formação humanística. Disso resultou o chamado Romantismo Alemão. A ciência só, nunca seria capaz de chegar perto da causa de tudo, causa essa que deve ser buscada ,com outros olhos, na natureza, como sugere Rousseau (1712/1778) nas suas Rêveries d'un Promeneur Solitaire. O Romantismo Alemão aponta a algo mais além das ferramentas da ciência e da percepção dos sentidos, para resolver aquele enigma, como se manifestam Goethe (no Fausto) e Humboldt (no Cosmos) , cientistas e humanistas. Não estranhamente uma simples jovem inglesa chamada Jane Austen, fala o mesmo ao combinar no seu romance de estréia, Razão e Sensibilidade (1811) os fatores que tem que andar junto para produzir o conhecimento, num plano, e o final feliz, no outro. Até bem pouco tempo, a ciência parecia só acreditar literalmente na Bíblia quando diz que Deus deu o mundo e a natureza a Adão para dela dispor ao seu bel prazer, o que ele e seus filhos passaram a fazer destruindo-a sistematicamente. As poderosas ideias do iluminismo na prática mostraram a face mais cruel e injusta do mundo, como a primeira revolução industrial, a destruição do ambiente, a questão social e a injustiça distributivista. Isto tem paralelo na visão atual de um progresso desvairado engendrado pela ciência e tecnologia, que resultam na destruição ambiental e efeito estufa. Já a reação romântica po