E se não fosse o samba quem sabe hoje em dia eu seria do bicho?


Gravacão do longa-metragem PARTIDEIROS, na Cedro Rosa

Observar e discutir alguns aspectos de uma realidade tão fascinante e sedutora quanto a do mundo do samba carioca é realmente um dos maiores desafios dessa minha pesquisa de Mestrado, e ao mesmo tempo também uma das minhas maiores paixões. Falar de samba é falar de um gênero musical que comunica e acompanha muito de perto a “vida cotidiana”[1] de um número expressivo de brasileiros. O samba que toca nas rádios, que é praticado nas batucadas de terreiros, nas esquinas e nas rodas de samba improvisadas das festas dos subúrbios, é em sua essência um fenômeno de caráter nacional.


Longe de constituir-se como um patrimônio estático, as transformações sociais percebidas e cantadas nas letras de samba, ao longo das décadas (1979 - 2010), refletem aspectos de circulação de poder (FOUCAULT, 2008) e de negociações sobre os sentidos (MARTÍN-BARBERO, 2009). Toda uma “gramática dos tambores” (SIMAS, 2019) se comunica com signos que refletem e refratam (BAKHTIN, 1997) aspectos da realidade e do dia a