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MÚSICA


leo viana, estudio, cavaquinho_fonte: leo viana

Há um tempo atrás, no dia do músico, resolvi escrever um breve relato da minha história de músico. Bem breve mesmo e cheio de omissões. Algumas quase propositais, porque cada uma seria, por si só, uma história gigante. Hoje não é o dia do músico, mas dei uma guaribada no texto pra dividir com os leitores aqui da Criativos.


Em resumo, quando comecei a dar minhas primeiras dedilhadas no violão, com uns dez anos de idade, eu já ouvia sambas de enredo e MPB, já adorava o Chico Buarque e o Gilberto Gil, mas frequentava regularmente a Igreja Metodista. Logo, tocava música evangélica. Não essa gritaria que se ouve hoje, mas aquelas músicas mais “comportadas” digamos. Foi com elas que aprendi. Ainda hoje são minhas preferidas nesse campo. Tenho problemas com a música barulhenta das igrejas contemporâneas. Mesmo a música “jovem” da igreja era mais harmônica e introspectiva no meu tempo. Guardei esse gosto comigo.


Tempos depois, eu já era estudante de Agronomia e trazia de casa aqueles conhecimentos de violão e cavaquinho (do mesmo jeito que até hoje, mas com os dedos um pouco mais duros...). Dava pra animar rodinhas de violão e campanhas eleitorais na universidade. O basicão de música popular eu tinha aprendido com meus amigos Claudio Garcia, Brígido Bento, Erô Garcia, Melquisedeque Batista, Celso Moreira e outros. Nessa altura, o Paulo Pilsen, agrônomo, boêmio e, por volta da mesma época meu orientador do estágio num assentamento de reforma agrária em Nova Iguaçu, me levou (e a mais um monte de gente) a lugares mágicos como o Candongueiro (salve Ivan Passarinho Mendes!!) e o Bip.


Nesses lugares, uma dimensão quase paralela, eu me apaixonei definitivamente por rodas de samba e choro vendo e ouvindo Marcelo Menezes, Jayme Vignoli, Luís Filipe de Lima, Alexandre de la Peña, Lenildo Gomes, Luiz Flavio Alcofra, André Boxexa, Marcilio Lopes, Rui Alvim, Eduardo Gallotti, Christina Buarque, Wander Fontana e diversos outros. De lá pra cá essa lista aumentou muito!! Nem vou continuar, mas quem não consta da listinha é porque veio cronologicamente depois, o que não diminui em nada a importância, pelo contrário. Afinal, pra quem começou vendo esses aí, eu podia ter parado, que já tava ótimo!! Hoje em dia e já há algum tempo, eu carrego meu instrumento por aí, dou minhas palhetadas.


A minha relação com a música passou disso. Por sorte e talvez alguma competência (não canso de duvidar dela, acho que o fator sorte foi muito mais determinante, mas enfim) passei a tocar cavaquinhos em lugares onde eu ia prioritariamente pra ver meus ídolos, que foram se tornando meus amigos.


No início dos anos 2000, conheci mais uma turma animada com a qual passei a dividir os acordes. Se antes disso eu tocava principalmente com os colegas da faculdade, sem compromisso com grande qualidade de execução, foi a partir daí que a coisa mudou seriamente.

Tocar com o Ricardo Tritany e com o Seu Zezinho do Bandolim me fizeram rever a relação com o cavaquinho. Não foi um passe de mágica, e se fosse, dado o tempo, eu já seria sim um grande instrumentista hoje, o que não é verdade, definitivamente. Mas passei a respeitar mais o instrumento e dedicar mais tempo a ele. Só com o Grupo Água de Beber, fui sete vezes à Europa com o Ricardo. E já há quase quatorze anos tocamos na Sessão Coruja do segundo sábado de cada mês no Vaca Atolada. Reconheço a cada dia que deveria ter estudado. Sendo amigo do Jayme, do Gallotti e de tantos outros, nada justificava seguir dando cabeçadas, mas fui incompetente e teimoso.


E ouvir o Serjão, cavaquinhista da União da Ilha, acompanhando os sambas concorrentes?

E ouvir e tocar com os arranjos jazzísticos do Eduardo Guedes no Barbantinho Cheiroso?

E viajar para a Europa e ver, ouvir e tocar junto com Claudio Rocha e Victor da Costa?

Nem vou falar dos percussionistas, que são muitos. Listar alguns me faria incorrer no risco permanente de omitir um ou outro, mas eles me ensinam a cada dia a respeitar o andamento.


De uns poucos anos pra cá, voltei a frequentar regularmente o Bipbip e passei a tocar sistematicamente com diferentes gerações de músicos, incluindo aí Pratinha e Maurício Massunaga, só pra ficar nas cordas. Mais recentemente ainda passeia a participar de uma roda de samba semanal com Dark e Flavinho Feitosa, o que vale como um curso de repertório e soluções de harmonia.


Você que gosta muito de tocar um instrumento, mas não é profissional, não faça como eu! Estude! Como eu disse, dei muita sorte, conheci as pessoas certas, mas não me comportei como deveria. Hoje, carrego o cavaquinho pra cima e pra baixo e há quem goste muito, mas sigo sendo principalmente fã dos grandes músicos que espalham arte por palcos e botequins do Rio, do Brasil e do mundo. O pior já passou e a música há de voltar a ser um dos nossos maiores produtos de exportação! E ainda com alta sustentabilidade!


Todos vocês foram - e ainda são - mesmo indiretamente, meus professores.

Quando eu crescer, quero ser como vocês!!!


Rio de Janeiro, junho de 2023.


 

Música, Arte, Cultura.


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