UMA UNIÃO IMPERFEITA.

Paulo Castro, para CRIATIVOS!



Paulo Castro, o Paulinho do Cavaco

Abraçou a estátua do Drummond no calçadão de Copacabana e chorou. Soluçou forte deixando surpresos e assustados os poucos passantes naquela hora da madrugada. A camisa encharcada de sangue coloriu de vermelho o busto do poeta.


O tiro no peito da mulher acabou com o desprezo que ela lhe dava. Nem um bom dia, boa tarde, boa noite. Na fila do ônibus, no corredor, no saguão do edifício, no elevador, no trabalho. Buscava um olhar e encontrava o vazio. O que fizera para merecer tal desprezo?


Única vez que se dirigiu a ela foi para oferecer-lhe uma flor que compara na loja da Galeria Alasca. Uma rosa vermelha. Uma, somente uma.


Ela ignorou a mão estendida, o gesto pedindo atenção. Um tiro. O vermelho cobriu o peito dela e o seu. Uma união imperfeita.


Vagou pelo bairro, letreiros vermelhos, sinal vermelho, sirene vermelha, olhos vermelhos...


Sentou-se ao lado do poeta e, silenciosamente, compartilhou seu sofrimento com ele. O sol chegou vermelho.


Mergulhou no mar de Copacabana e deixou-se levar junto com um nome que não sabia.


Um passante observou, indignado, que haviam pichado a estátua do poeta mais uma vez.


 

A Cedro Rosa, orgulhosamente, representa o trabalho musical de Paulinho do Cavaco.


Escute 3 obras de Paulo Castro, na música, Paulinho do Cavaco.



Saudade de Meus Botequins / Paulinho do Cavaco e Luis Pimentel, com Tomaz Miranda.


Reunião de Condominio ( faz parte do CD Roda de Samba do Bip Bip), com Paulinho do Cavaco.


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