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Literatura: Ceticismo


Léo Viana, para CRIATIVOS!

Léo Viana

O tempo que a gente vive agora é um tempo de dúvida. Não mais das grandes dúvidas da existência, aquelas que os filósofos, teóricos, mães (em geral com argumentos irrefutáveis, que incluíam teorias autodepreciativas, passavam por referências à genética paterna e chegavam, não raro, ao chinelo) e psicanalistas, claro, ajudaram gerações a resolver. Não aquelas relativamente objetivas e que se perderam entre bebedeiras, jogos de futebol, desfiles de escola de samba ou longas tardes na praia, no tempo que íamos à praia de tarde.

Nossas dúvidas atuais são coisas das quais duvidamos pelo absurdo, coisas com as quais não perderíamos um segundo de nossa sagrada existência no tempo em que até tínhamos tempo pra perder.

Todos os dias acordamos, de uns tempos pra cá, repetindo frases como “Ele não disse isso!” ou ainda “Ele não seria capaz de fazer isso!”. Viramos todos uns céticos desesperados, daqueles que querem acreditar, só não conseguem. Mergulhamos em dúvidas que não deveriam nos corroer.

Ninguém quer acreditar que um ministro do meio ambiente possa ter enfiado garimpeiros ilegais num avião da FAB pra reunião em Brasília. Quer?

Quem, mesmo no pior dos pesadelos, acreditaria que alguém seria capaz de rir do incêndio no Pantanal? E se, numa jogada de mestre, o roteirista escrevesse que quem riu foi o ministro do meio ambiente? Nem em filme do George Lucas...

Só pra manter a coerência temática, ainda no campo do meio ambiente, é bem verdade que o cinema de animação tem nos aplicado várias impossibilidades, especialmente com animais falantes, geralmente morando nos Estados Unidos.

Alguns, recentemente, é bem verdade, manifestaram a intenção de voltar pra casa (vide “Rio” e “Madagascar”, ótimas ambas as séries de filmes). Mas quando a intenção é retratar habitats naturais, eles fazem certinho, como em “Rei Leão”. Aqui, o general e o ministro enfiaram um mico leão dourado na Amazônia sem a menor licença poética. O último mico da espécie que passou por ali, provavelmente estava dentro de um avião, numa gaiola, indo ou voltando da América do Norte...

Se fosse só isso, a gente talvez desse um desconto. Sei lá. De repente, nosso ceticismo diria “ah, mas tem a economia, o agro!”. Aí a gente olha em volta e descobre que, paralelamente à maior safra de grãos da história, celebrada em prosa e verso, afinal, o agro isso, o agro aquilo, etc, o preço do arroz foi pras alturas.

O arroz é a comida central do prato do brasileiro, cacete. Num livro sensacional e de fácil acesso pra todos, chamado “O dilema do onívoro”, Michael Pollan, um grande jornalista estadunidense, professor e preocupado com o que comemos, entre outras informações importantes, traça uma relação dos Estados Unidos com o milho, que é a base da comida e de grande parte da energia e de muito mais coisas lá. Planta-se em quantidades absurdas e se subsidia. Simples assim. Não pode faltar milho! Se alguém precisar fora, mas for constatada maior necessidade interna, a maior e mais poderosa economia capitalista do mundo protege os seus produtores e subsidia, mesmo que o preço fique ridiculamente baixo. Aqui não pode.

O povo começou a comer mais (em casa há seis meses, preso por uma pandemia que o governo não teve competência pra administrar) e pronto: aumentou o consumo, subiu o preço! Que fiquem com fome. O mercado externo está de olho no Tio João, na Camil e em quem mais tiver o ouro branco. Isso é oferta e procura. Não dá pra crer! Eles nunca ouviram falar em segurança alimentar? Não aprenderam nem com os Estados Unidos? Quando esse governo acabar, a sala secreta dos roteiristas, com a mesa do Tarantino em destaque, vai ser o local mais visitado do Palácio do Planalto. Aposto.

E o bonde da incredulidade segue. Não faz muito que entregamos a Embraer, uma das jóias da coroa, pro controle da Boeing. Na sequência demos Alcântara, o nosso Cabo Canaveral, pra Nasa. E o pré-sal pras petrolíferas americanas, que é pro pacote ficar completo.

Mas nosso lado crédulo poderia, num arroubo de otimismo, achar que talvez estivéssemos nos especializando em outras áreas, o que nos tornaria fortes vendendo produtos manufaturados em que fôssemos verdadeiramente especialistas. Claro!! É isso!! Pobres acreditadores!

Ao contrário, saíram, de acordo com a imprensa, mais ou menos quinhentos mil bois vivos de navio pra exportação. A mortalidade média é de 25%. Ou seja, matamos 125 mil bois que poderiam ser exportados a preço muito mais alto se beneficiados, já em filés. Nem vou entrar no mérito da culpa da pecuária no grande desastre ambiental brasileiro. Já tínhamos mudado de assunto. Mas ... Como acreditar?

Gente de inabalável fé ainda diria que temos boas relações com o mundo, o que nos garantiria, na pior das hipóteses, um asilo seguro mundo afora. Bem... quando o atual governo assume o alinhamento automático com os EUA, herda também os desafetos. Dizem que tem até preparo de tropas para um “esforço militar” na Venezuela.

A encrenca é de tal ordem que o cara que ocupa o comando do Estado Brasileiro, num lance diplomático de envergonhar garotos da quarta série, chamou o Al Gore pra “explorar” a Amazônia. Isso, sem contar que teria lutado contra a luta armada, ainda garoto de calças curtas, informação prestada no mesmo esbarrão com o ambientalista e ex-vice presidente da “potência guia”. Que roteiro!!!

Pra aliviar o meu ceticismo eu precisaria ter certeza de que essa é apenas uma pequena parte do filme e que o roteiro vai dar uma virada. Mas não sinto, nos roteiristas, nenhuma intenção. E acontece, por vezes, de o roteiro ser tão densamente construído, que fica impossível uma guinada que viabilize um final coerente.

Não faz muito tempo que, numa novela da Globo, explodiram tudo pra começar de novo. E trocaram a equipe!

Aí talvez... Quem sabe?

 

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