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BÁRBAROS, por Léo Viana.

Léo Viana, para CRIATIVOS!


Leo Viana

Meu primeiro encanto com a História como disciplina não foi diferente do que aconteceu com a maioria. Fiquei doido, completamente pirado com as notícias do Egito. Pirâmides, múmias, hieróglifos e essas coisas todas que fazem parte do imaginário de todo mundo. Quando encontrei pessoalmente com parte daquele acervo, já adulto, no British Museum, conhecia quase todos pelos nomes, na maior intimidade. Mesmo aqui no Museu Nacional, o encontro com as múmias foi emocionante.


A paixão permanece, mas ela ganhou uma concorrente muito forte (coisas do coração...) quando, na sétima série, no já distante ano de 1981, eu ouvi falar pela primeira - e tardia - vez nas invasões bárbaras. Pra começar, na minha compreensão, uns caras chamados visigodos e ostrogodos não poderiam fazer mal a ninguém. Depois que, “bárbaro” era adjetivo pra coisa muito boa, excepcionalmente boa. Uma ”invasão bárbara” pra mim, era uma invasão sensacional, sem defeito, sem erro, sem problema nenhum. Bárbaros, na minha interpretação particular e àquela altura, eram Caetano, Gal, Gil e Bethânia! E ainda doces!



 

Escute "O Que Aconteceu com a Rose?", estranha websérie da Cedro Rosa

sobre Rose Freitas, que abandonou promissora carreira política.

 

Na cabeça de um moleque da Baixada, foi dureza assimilar que a Europa ocidental, cristã e civilizada, organizada a seu modo sob o Império Romano, tenha sido dominada pelos povos “estranhos”, "não civilizados", "bárbaros" do norte e do leste. A escola ensinava assim. Os visigodos inclusive criaram cidades na península ibérica e dominaram tudo até a dominação seguinte, pelos muçulmanos. As chamadas invasões bárbaras são uma marca tão grande na história que uma parte dos historiadores as utiliza como referência pra marcar o início da idade média. Considerando que a outra referência utilizada é a queda do Império Romano e que o domínio dos bárbaros só se consolida após essa queda (não foram os bárbaros os responsáveis pelo tombo...), fica fácil entender a dimensão histórica dessa ocupação.


Cabe pontuar aqui que a miscigenação cultural é das melhores coisas da história da humanidade, ainda que ela tenha provocado algumas das maiores mazelas que vivemos ao longo do tempo. A cultura europeia que conhecemos ou vemos nos filmes é o resultado de amálgamas culturais profundas, que até há pouco ainda rendiam inflamações graves, mas que tendem a se fixar na história. E é ela, já misturada e consolidada, que determina em grande parte o que se é no ocidente todo, etc.


Mas eu não entendo nada de História. Essas coisas são lembranças afetivas da professora de História do ensino fundamental, Dona Teresa, no Centro Educacional Tiradentes, em SJ Meriti. Foi a mesma professora, da 5ª à 8ª série, num tempo em não havia licença maternidade e a professora dava aulas quase até parir e voltava quando a criança ainda era bem pequenina, um mês depois.


Muitos anos depois, tanto das invasões bárbaras quanto da minha sétima série, nos vemos às voltas com fenômenos históricos que, se não guardam semelhanças conceituais com aqueles referidos, ao menos, me inspiram a associá-los.

As invasões bárbaras de agora parecem ocorrer pela porta da frente, a convite. A sociedade minimamente organizada, cheia de “instituições que seguem funcionando”, como diz o mantra, usou todos os seus mecanismos de controle, fiscalização e regulação social, pra trazer à luz hábitos estranhos, através de indivíduos meio infantilizados (visigodos e ostrogodos, a mim, sempre pareceram nomes de monstro pra assustar criança, daqueles de pelúcia. Tipo: “Pedrinho!! Você esqueceu o visigodo na área de serviço. Ele vai ficar todo molhado!!” ou “quem jogou água sanitária no ostrogodo da Paulinha??”), mas capazes de atrocidades tremendas, como genocídios e subversão de valores consagrados.


 

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O pior não é a invasão bárbara, ainda que eu já esteja, desde os 12 anos, convencido de que o sentido da palavra é outro. No caso lá do império romano, constatada a franca decadência, os bárbaros marcharam em cima de um cachorro morto. E é aí que mora o meu maior e talvez único temor. O jeito que arrumamos pra nos organizar como sociedade – e vivemos a repetir aquele outro mantra: “nada é melhor do que a democracia” – abre as portas pra que os inimigos entrem pela porta da frente, convidados, coloquem o pé em cima da mesa da sala, cuspam no chão e de repente resolvam morar no nosso democrático cafofo. E pode ser que se animem a fazê-lo até a próxima invasão. Os visigodos, que entraram em 418 dC, só saíram em 711.


Não me parece que seja outra coisa, como alguns teóricos infinitamente melhores que eu têm dito com absoluta assertividade – e conhecimento de causa – que a decadência dessa democracia, no formato que a ado(t)ramos. O cachorro pode não estar morto ainda, mas tá bem doente.


Não sei até quando a gente consegue resistir só escrevendo. E nem sei quando eles vão começar a entender a nossa língua. Ou, sei lá, nós a deles.


 

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