Literatura / VAI, MEU TIO!

Paulo Castro, para CRIATIVOS!



Paulo Castro, o Paulinho do Cavaco

Sol de quarenta graus. Areia pegando fogo. Turma da praia versus turma do bar, no posto três de Copacabana. Ele, ponta direita da turma do bar, na época em que ponta direita ficava na ponta direita mesmo. A dificuldade em dizer não e um pouco de vaidade o empurraram pra essa roubada.


Não jogava há anos. Tinha até um toque de bola razoável, chutava bem, mas nada demais. Gostava de jogar, não de ganhar. Por vezes, enfeitava só para dar um brilho na bola. Diziam que jogava pra torcida. Era, porém, amante do futebol-arte. O gol não tinha importância. Como foi feito, sim. De canela, nem pensar; muito menos de bico. De trivela, perfeito. De placa, então, era a sua eterna busca. Perdeu gols feitos por tentar a excelência, a beleza. Deixava os companheiros “putos dentro das calças”.


Quando discutia futebol, citava Ipojucam, Didi, Mengálvio: o cuidado e a elegância no trato da bola. Agora, estava ali, convocado pelo filho para um jogo de confraternização das turmas da rua. Sim, das turmas, porque a do garoto era a da praia, da paquera e do futebol; a sua, do bar, do chope, do passado, das histórias e, como, em toda roda de velhos, das mentiras. O “já comi” era a mais con