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Literatura / VAI, MEU TIO!

Paulo Castro, para CRIATIVOS!



Paulo Castro, o Paulinho do Cavaco

Sol de quarenta graus. Areia pegando fogo. Turma da praia versus turma do bar, no posto três de Copacabana. Ele, ponta direita da turma do bar, na época em que ponta direita ficava na ponta direita mesmo. A dificuldade em dizer não e um pouco de vaidade o empurraram pra essa roubada.


Não jogava há anos. Tinha até um toque de bola razoável, chutava bem, mas nada demais. Gostava de jogar, não de ganhar. Por vezes, enfeitava só para dar um brilho na bola. Diziam que jogava pra torcida. Era, porém, amante do futebol-arte. O gol não tinha importância. Como foi feito, sim. De canela, nem pensar; muito menos de bico. De trivela, perfeito. De placa, então, era a sua eterna busca. Perdeu gols feitos por tentar a excelência, a beleza. Deixava os companheiros “putos dentro das calças”.


Quando discutia futebol, citava Ipojucam, Didi, Mengálvio: o cuidado e a elegância no trato da bola. Agora, estava ali, convocado pelo filho para um jogo de confraternização das turmas da rua. Sim, das turmas, porque a do garoto era a da praia, da paquera e do futebol; a sua, do bar, do chope, do passado, das histórias e, como, em toda roda de velhos, das mentiras. O “já comi” era a mais contada.


Para ter equilíbrio e graça, misturaram as turmas: cinco jovens e seis coroas em cada time. Paredão cheio, gritos vaias, aplausos. E, de repente, jogo 6x6, placar de “pelada” do aterro, um minuto pro fim, a bola na ponta direita e o grito: “Vai, meu tio!”. O garotão bom de bola, cheio de saúde, excelente meio de campo, com visão de jogo, esticou uma bola na ponta direita. Na ponta direita mesmo e esticada mesmo! “Vai, meu tio!” O grito ressoou em seu ouvido. Era com ele. Lembrou-se de Julinho, Garrincha, Telê, Jairzinho e preparou a arrancada. Preparou, mas não arrancou.


O sol, o calor, a areia quente, a falta de preparo físico, o desinteresse pela vitória e, a principal razão verdade seja dita: desde primeiros quinze minutos do primeiro tempo, só pensava no chope gelado no bar da esquina. Bola pra cá, bola pra lá, que se dane! Gol, gol, e mais gol, que se dane! Tinha pedido substituto, não arranjaram. Havia, mas sumiu porque era mais fácil ficar no paredão tomando uma cerva gelada e rindo do mico e do sofrimento dos amigos.


“Vai, meu tio” O grito, insistente, cobrava atitude. A bola, cada vez mais longe, parecia um meteoro de fogo abrindo caminho na areia escaldante do deserto. Deu um pique de metro e meio, as pernas bambearam, caiu de joelhos e viu a bola sair pela linha de fundo. Sentiu-se, com esse fracasso, responsável pela vitória. Vitória? Sim, vitória. O jogo acabou empatado, não houve vencedores nem vencidos, todos ficaram felizes, e ele, “O Furacão de Copa”, mais tarde, na esquina, depois de alguns chopes, narrou: “dei uma arrancada, peguei a bola que o garotão esticou e centrei na cabeça do centroavante, que, infelizmente, não tinha o meu toque de bola e perdeu o gol.”


Foi aplaudido. A esquina é cordial, solidária e condescendente.


 

Conheça as músicas de Paulo Castro, codnime Paulinho do Cavaco, escritor e compositor.


Saudade de Meus Botequins /


"Reunião de Condomínio", de Paulinho do Cavaco, gravado no disco do Bip Bip, produzido pela Cedro Rosa.



Escute o disco Roda de Samba no Bip Bip





Saudade de Meus Botequins / Paulinho do Cavaco e Luis Pimentel

 

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