Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima


José Luiz Alquéres

Seria bom se pudéssemos em vários momentos da vida "zerar o velocímetro" e começar tudo de novo, do zero. O título deste artigo, emprestado do verso de um belo samba, como é frequente, traz uma profunda lição. É a lição que precisamos aprender todos, eleitos e eleitores, do que é necessário fazer aqui neste nosso Estado. É também a sensação que tenho quando circulo pela nossa cidade, ou pelo interior do nosso Estado do Rio de Janeiro, e constato as abjetas condições de vida a que relegamos nossos conterrâneos. Uns vivem em mangues, cercados de mosquitos, calor, umidade, infecções. Outros em áreas que a cada chuva maior ou enchente perdem parte dos seus bens, quando não a vida de entes familiares. E há ainda os moradores de encostas sujeitas a deslizamentos, onde todos anos há a quota dos que perdem casas e vidas, convivendo ademais com terríveis situações de risco. É uma convivência tão grande, tão intima com o horror que funciona como se isso fosse um anestésico para os sentidos. Encarar a realidade , conscientemente, seria inaceitável! Nao custa muito tambem procurar saber se há meios para resolver estes problemas. Se olharmos para o orçamento do Estado veremos que ele se eleva a uns 60 bilhões de reais por ano. Uma cifra expressiva. Se olharmos para os gastos recentemente aprovados pelo Congresso Nacional em manobra espúria e criminosa contra o Rio, veremos que, sem a menor necessidade, se impôs à Eletrobras investimentos de 100 bilhões de reais, em gasodutos dispensáveis, além de um acréscimo adicional de uns 5o bilhões anuais em combustível e manutençao de térmicas a gás no Nordeste. Ou seja quase dois orçamentos de investimento e um orçamento de despesas anuais recorrente. Ai começamos a entender porque criamos esta enorme divida social, impondo este viver miserável a 30 % da nossa população, para atender pressões econômicas e eleitoreiras dos Estados pidões e de seus capitalistas oligarc