LEMBRAR É PRECISO !



Com a própria vida – e sempre com ela e por ela – todos aprendemos – ou deveríamos – que, por exemplo, o ‘ontem’ nos antecipa os ‘amanhãs’, desde que a gente queira que seja assim, pois o exame da história não se limita ao estalo espontâneo ou induzido. A consideração do passado é, sobretudo, um ato da vontade e, com o tempo, saudabilíssimo hábito, independentemente de motivos ou efeitos emocionais.


É claro que os exercícios da cultura acadêmica contribuem enormemente para a valiosa aquisição das culturas da lembrança e/ou da recordação e dos consequentes domínios de nossa própria história ou, mesmo, de toda a história da civilização. Mas, infelizmente, é igualmente “claro !” que tais frutos não estão disponíveis em toda e qualquer árvore – como deveria ser. Ao contrário, as relações com o saber acadêmico são extremamente segmentadas e tão mais segmentadas quanto mais elevado o grau da miséria em que, ainda, vive o Homem.


Nossos antepassados criaram, na língua – o Latim - que deu origem à nossa e outras mais, a palavra ‘monumentum’, que significa, exatamente ‘lembrança’, ‘recordação’. E os monumentos, naturalmente, se distribuem desde os mais completamente íntimos – como seria a primeira cueca, por exemplo – até os mais públicos, como pode ser uma foto no jornal. E tudo é lembrança... tudo é recordação. Uma estátua hiper-realista ou uma escultura ou uma alegoria....e tantas outras formas que remetem a alguém, a algum tempo, a algum fato, algum lugar....tudo é monumento.


Parece-me (apenas me parece...) que as ESTÁTUAS e as DATAS têm sido formas mais comuns de monumentalização. Cheguei, mesmo, a pensar que, a partir desta sua alma comum, “ AS DATAS SÃO ESTÁTUAS NO TEMPO E AS ESTÁTUAS SÃO DATAS NO ESPAÇO “ tal sua frequência em monumentalizar.


Os monumentos públicos, longe de meros acidentes ornamentais, não se limitam, absolutamente, às simples intenções de ‘homenagear’. Pensassemos assim, estaríamos minimizando – ainda mais – o alcance da autoridade pública que deu nome àquela rua... ou que plantou ali e acolá aquela estátua e, assim, sucessivamente. Na verdade, apesar do RECONHECIMENTO À IMPORTÂNCIA dos LEMBRADOS), a monumentalização é um serviço prestado à Sociedade, a partir de seus segmentos mais populares, para quem estas lembranças serão verdadeiras ‘aulas’. E, ainda que o IDEALIZADOR do MONUMENTO não tenha consciência desta verdadeira CAUSA, com toda certeza e quase todo o mérito ele está contribuindo para O GARANTIDO EFEITO.


Logo após ter-nos deixado, em 8 de Dezembro de 1994, um dos maiores amores de muitos de nós – o Maestro ANTONIO CARLOS JOBIM – o preparadíssimo Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, de então – decidiu monumentalizar o ARTISTA de SABIDAS DIMENSÕES LOCAL, NACIONAL E INTERNACIONAL, contemplando, destarte, a CIDADE, o PAÍS, O MUNDO, as ARTES em geral, a ARTE MUSICAL, em particular, a HISTÓRIA PASSADA e FUTURA e sua CONTEMPORANEIDADE. E contem