LEÃO DE CHÁCARA



Paulo Castro, o Paulinho do Cavaco / foto: Cedro Rosa
Paulo Castro, o Paulinho do Cavaco / foto: Cedro Rosa

A toda hora, olhava o relógio e dava uma espiada no interior da boate. Dez pras cinco da manhã e ainda havia um casal bebendo a décima saideira. Fez um sinal pro garçom, que aproveitou a deixa, e colocou a conta em cima da mesa, pedindo desculpas e explicando que a casa ia fechar. O casal entendeu, frequentadores antigos, liquidaram a bebida num gole só, pagaram e se despediram prometendo, se Deus quiser e o fígado permitir, voltar no dia seguinte.


Estudava para fazer o vestibular de Direito. Aluno regular no Ensino Médio, agora se dedicava com afinco aos estudos. Não faltava às aulas, frequentava os aulões extras nos sábados e domingos, fazia todos os exercícios das apostilas, enchia o saco dos professores com suas dúvidas. Muito bom na área de Humanas, era fraco nas exatas. Dificuldade em Química e Física. Estudante de escola pública, quase não teve aulas dessas disciplinas. Da segunda, somente no primeiro ano. Não havia professores. Caso crônico nas escolas do estado. Terminou o namoro de quatro anos: não tinha tempo para isso. Largou a esquina, a turma, o chope e o futebol de praia. O foco era a aprovação no exame e, mais tarde, a carreira de delegado da polícia federal.