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João Nogueira, um fulgurante capítulo na história do samba (final)





O Samba como todos sabem, tem sua história marcada por perseguição, indiferença, bajulação, desprezo o que resulta em uma trajetória de altos e baixos. Um desses momentos de baixa levou João Nogueira a criar uma trincheira de resistência quando fundou o Clube do Samba. Com ele estavam a irmã, Gisa Nogueira, Paulo Cesar Pinheiro, Clara Nunes, o mesmo Sérgio Cabral e outros bravos. É isso. Agoniza, mas não morre. Alguém sempre o socorre, já disse o gigante Nelson Sargento que nos deixou semana passada.


A primeira sede do clube foi no Méier, na casa do João. Depois de perambular por outros logradouros, estacionou na Barra da Tijuca. Lá promoviam-se bailes frequentados pela fina flor do gênero e da MPB como Beth Carvalho, Paulinho da viola, Martinho da Vila, Chico Buarque. Havia um jornal próprio, sobre samba e, não demorou o Clube se metamorfoseou em bloco que até hoje ajuda a enriquecer o Carnaval de rua do Rio. Quem segura a agremiação na cabeça e dona Ângela Nogueira e a família.


Meu segundo contato com João foi numa recepção ao então governador Marcelo Alencar, promovida pelos diretores de uma grande montadora automobilística que se instalara em Resende. Década de 1990. O evento foi no Palácio da Cidade e eu estava lá a trabalho. Muitas celebridades presentes. João Nogueira que chegara há pouco, se junta a uma roda de bate-papo em que estavam entre outros, Tuninho Galante e eu. Ele conhecia o Tuninho e, me cumprimentou por pura educação. O samba vivia uma daquelas baixas provocadas pelo mercado e, João sofria um pouco com esse declínio. Depois, eu e Tuninho esticamos até o Lamas, e, foram tantas as saideiras que cheguei atrasado num encontro amoroso. Levei uma bronca.


As outras ligações com o grande sambista, foram indiretas. Uma noite, no lançamento de um CD na saudosa Modern Sound, Marcel Powell - que conheço a partir de um amigo comum, o ator André Whately, me apresentou ao Diogo Nogueira, que ainda não havia estourado. Apesar de admirar o timbre do rapaz e reconhecer seu valor, achava que o sobrinho, Didu, filho de Gisa Nogueira, tinha tudo para ser o herdeiro artístico mais genuíno de João. Pela ginga, pela boa malandragem e pela carioquice. Conheci o Didu no Bip-Bip e depois sempre que o encontrava, pedia para ele cantar ‘Terno Branco’, belíssima composição de sua mãe. Nem sempre era possível e algumas vezes quando eu chegava, ele já tinha cantado.


O tempo passou e depois do Carnaval de 2015 (acho que foi esse o ano) numa tarde quente, estava eu na Secretária de Estado de Cultura, no centro do Rio. Era a prestação de contas do apoio financeiro recebido pelo Bloco Etílico Carnavalesco Crustáceos da Manguaça, de Resende, do qual tenho a honra de ser um dos fundadores e compositores. Ao meu lado uma senhora de olhos claros, aguardava ser chamada para também prestar contas. Iniciamos uma conversa trivial e ela comentou que a lei que destina recursos aos blocos de rua nascera de uma pressão do Simpatia é Quase Amor e do seu bloco. “Qual o seu bloco”, perguntei e, ela: “Clube do Samba”. Caramba! Era dona Ângela Nogueira, viúva de João Nogueira.


Foi um arrepio só. Sai da repartição levemente emocionando e com a sensação real, de que João Nogueira, mesmo não estando mais entre nós, continua influenciando, com força, as nossas mais caras manifestações culturais. Samba e Carnaval. Valeu, João. Obrigado.


Terno Branco, de Gisa Nogueira. Escute aqui!



Vesti meu terno branco de domingo

Lenço de seda no pescoço e com ar de bom moço o morro eu desci

Botei meu cavaquinho a disposição da poesia, pois há tempos queria Sentir no meu peito, tamanha emoção”


(Terno Branco - Gisa Nogueira)


 

Por Dentro da Cedro Rosa, com Lais Amaral Jr. , Luana Oliveira e Isadora Matos.




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