João Nogueira, um fulgurante capítulo na história do samba.




Sempre ouvi dos mais velhos que Roberto Silva, o ‘Príncipe do Samba’ era o maior, ou senão, um dos maiores e mais marcantes intérpretes do nosso nobilíssimo gênero. Apreciei, entre outros bons, outro Roberto, o Roberto Ribeiro, um lorde ao interpretar. Mas quando ouvi João Nogueira, tive a certeza de que estava ali o meu melhor intérprete de samba. Pelo menos, na mesma estante de Roberto Silva, que só fui ouvir com mais atenção depois que o Hermínio Bello de Carvalho, em mais uma das suas tacadas certeiras, inventou o oportuno e magnífico espetáculo ‘O Samba é Minha Nobreza”, que trouxe Roberto Silva de volta à luz. Foi em 2003 e por uma dessas horrendas ironias, João Nogueira não estava mais entre nós. Seria sensacional os dois no mesmo espetáculo.


Já ouvira algo de João Nogueira com a Eliana Pittman, ‘Das duzentas para lá’. Eu era ainda pequeno e não sabia que a música era dele. ‘Corrente de Aço’, com a divina Elizeth, tomei conhecimento pelo maneiríssimo making off: ‘Wilson, Geral, Noel’ (...mostrei o samba pra nega Elizeth, ela disse sorrindo: nego tem topete, já pode cantar lá em Vila Isabel...). Mas foi com o disco ‘Vida Boemia’, que me rendi de vez à malandragem e ao swing do João. Além de comprar o disco, assisti três vezes o show, no Teatro Carlos Gomes. Era uma curtição. Podíamos comprar umas ‘minissaias’ (garrafinhas de cerveja pré-long neck), no bar do teatro e assistir ao show tomando a gelada na plateia. O pessoal ia depositando as garrafinhas no chão junto às cadeiras. Uma gostosura.