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Glasgow, esperança ou extinção?


José Luiz Alquéres

A próxima reunião de chefes de estado da ONU, COP26, vai se realizar no início de novembro em Glasgow, e tratará de medidas vitais para o futuro da humanidade. Ela deverá sacramentar o compromisso de países trabalharem juntos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e, com isso, livrarem o mundo das catástrofes causadas pelas mudanças climáticas, já responsável pela extinção de milhares de espécies de seres vivos.

A história do mundo como uma sucessão de catástrofes naturais, tendo havido extinção localizadas de espécies, já foi objeto de teoria científica denominada "Catastrofismo", formulada por Georges Cuvier no início do século XIX. Teve grande impacto. Cuvier foi, por sinal, professor do paleontólogo Lund, pioneiro de estudos em Lagoa Santa, Minas Gerais. Dentre os fatores naturais responsáveis pelas catástrofes ele identificou asteroides que colidiram com a Terra, fenômenos tectônicos, glaciações e outros que provocaram a extinção de espécies

Em nossos dias, porém, a causa não é natural. O homem e seu modo de vida são os maiores responsáveis por catástrofes. A ciência e a indústria que potencializaram os instrumentos de destruição, paradoxalmente, podem trazer também as soluções para evitar o pior. São coisas simples perto das conquistas anteriores do homem: mudanças nas formas de ocupar o território, produzir os alimentos, alterar as dietas alimentares, novas mobilidades, nova arquitetura e urbanismo, reciclagem de materiais... enfim, os meios de mudar a nossa cultura. Nada que deva assustar uma humanidade organizada em grandes burocracias estatais e empresariais.

O maior desafio é conseguir mudar a cabeça das pessoas. Tirá-las de sua zona de conforto. Fazerem com que abracem o novo. Neste exato sentido, o Papa Francisco, em 2015, fez um apelo dramático na Encíclica Laudato si' (em português, "Louvado seja"; subtítulo "Sobre o cuidado da Casa Comum" - referindo-se ao planeta).


 

Cantoras incríveis. Escute!

 

No ano de 1.130, o monge Hugo de São Vitor, em sua obra "Didascalicon - Sobre a Arte de Ler", já pregava a unidade indissociável do todo como uma expressão da harmonia da criação divina, mas foi apenas com Cuvier, Lamark, Erasmus Darwin (avô do Charles), e outros pioneiros dos estudos sobre a evolução, que evidências científicas de que a vida na Terra deriva de uma origem comum começaram a ser provadas. Hoje sabemos que pequenos organismos evoluíram nos oceanos consumindo dióxido de carbono e expelindo oxigênio, criando assim a atmosfera adequada para a vida. Alguns destes organismos sobem para a terra firme e se diferenciam. Há os que se enraízam e ficam imóveis - os vegetais, claro - e os que continuam a se mover e vão dar origem às mais diferentes espécies animais. De tempos em tempos, catástrofes naturais extinguem muitos, mas fósseis provam sua existência e permitem a datação. Ao longo de 4 bilhões de anos em subciclos de centenas de milhões de anos, essa proliferação de matéria orgânica - ou seja, matéria que contém o elemento carbono - é coberta por sedimentos, afundada por cataclismos naturais, comprimida e cozinhada pelo calor, e se transforma em depósitos de carvão ou de petróleo.

Nos últimos duzentos e cinquenta anos, estamos subvertendo a ordem natural, retirando este carvão e petróleo acumulados, queimando-os, alterando a composição da atmosfera e sua temperatura e provocando, pelos nossos modos de vida, uma catástrofe maior do que as já produzidas pela natureza no passado.

Em termos filosóficos, a percepção da unicidade e equilíbrio do mundo surgiu ao tempo de Cuvier, fim do século XVIII, com mestres como Rousseau, Kant, Schelling, Goethe e a escola do romantismo alemão. Eles questionaram a visão iluminista e newtoniana do universo como a máquina perfeita, um relógio de precisão. Apontaram que há algo mais do que a soma das partes, como a incompletude da criatura de Mary Shelley (autora do célebre "Frankenstein") deixa claro.

Kant, em particular, havia distinguido em suas obras o mundo da filosofia natural, onde investigações de causa-efeito podem explicar fenômenos do mundo, dos sentimentos morais, que transcendem as explicações comezinhas ou matemáticas. A compreensão de ambos não se atinge com os mesmos métodos. A meu ver, voltamos a isso agora. O mundo está sendo destruído sob nossas vistas e não basta que sejam criadas reservas ou parques naturais para se registrar que existiram áreas assim. Temos que mudar o jeito que nos comportamos: pessoas, empresas e estados.

O conceito de planeta vivo aparece na mitologia grega. A Terra chama-se "Gaia". Este conceito é usado muitas vezes na literatura, por exemplo, em duas metáforas recentes: a primeira, um conto fantástico de Arthur Conan Doyle, "O Dia Que A Terra Gritou"; a segunda, na chamada "Teoria de Gaia", de James Lovelock. Em ambas as metáforas a primazia do organismo sobre o mecanismo.

A pandemia global da Covid, inequivocamente provada pela ciência como causada e agravada pelo homem, demonstrou a unicidade deste todo global que é a vida na Terra, e provou que não podemos irresponsavelmente destruir partes de um sistema e imaginar que não haverá algum tipo de consequência - contra nós, no presente caso.

A correção tem que ser enfrentada em conjunto, por todos os países e habitantes da Terra. Isso é o que vai ser discutido em Glasgow: o "como". Juntos, comunistas, socialistas, capitalistas, pobres, ricos, ditaduras, democracias, cidades e empresas, devem se alinhar e promover a maior alteração nos modos de vida que se tem notícia. Que saiam de Glasgow as soluções e o cronograma para que extinções sejam evitadas, a começar pela da nossa própria espécie.

Precisamos de uma guinada - inclusive espiritual, como sugeriam os românticos alemães - que nos faça ver a natureza como o foco de nossa responsabilidade, a esperança da nossa sobrevivência e do sentido que temos que dar à vida.


José Luiz Alquéres, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro


 

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