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Entremeios!



Sonhei com minha mãe. Ela brigava tanto comigo e eu nem sabia por quê.

Acordei cansada, esgotada mesmo e senti uma enorme saudade da minha avó.

Daquela que foi mãe de meu pai, e de muitas gentes mais.


Senti falta de seu carinho, de me sentar aos seus pés, de imaginar porque ela costurava com as mãos e nunca usava aquela máquina bonita que mais parecia um aparador de roupas.

Com ou sem máquina, de bonitezas minha avó entendia. Qualquer roupa, de festa, de carnaval ou de festa junina caipira lindas pelas suas mãos.


Eram tantas rendinhas franzidas, tantas sianinhas ziguezagueando por decotes e cavas, tantos xadrezinhos a brincar entre poázinhos, estampadinhos e leses, que enchiam os olhos, abriam as bocas e provocavam suspiros orgulhosos àqueles aos quais as costuras iriam adornar.

Sim! Elas - suas costuras - feitas a mão, pontinho por pontinho, nos adornavam!

Em geral aquela criançada toda, de irmãos, primos, filhos de vizinhos, parentes distantes, crianças de todos os cantos, tinham a garantia de uma roupa nova pelas mãos da minha avó.

Mas ela era minha avó!


Era avó de tantos e mesmo de muitos, é bem verdade!

Mas para mim, ela era a minha avó!

Como era doce, como era forte a minha avó!

Nascida Belarminda, se empertigava toda ao se apresentar Canuta!


Tinha muito orgulho desse apelido que lhe deram por ter nascido no dia de São Canuto, um rei dinamarquês que virou santo no ano de 1042, e cujas glorias ou inglórias ela desconhecia, tão distante que estavam de sua realidade naqueles anos do século passado, em uma casa antiga no bairro de Quintino.

Mas sabe-se lá por qual motivo, ter nascido no dia 19 de janeiro era algo que iluminava seu olhar como se a aproximasse do bendito santo, e que, no seu entender, lhe conferia algum tipo de poder.


E eu seguia ali, sentada a seus pés pelos quase quinze anos de nosso convívio.

Segundo ela, eu não parava de falar um minuto, o que para todos era uma verdadeira surpresa, já que para alguns eu era quase uma menina-ostra, enquanto para muitos eu era uma ostra-menina.


Durante minhas excessivas falações com minha avó, toda pergunta podia, toda a manha merecia um chamego, toda novidade ganhava um sorriso.

Mas havia duas frases que ela me repetia dia sim, dia não também, com a mesma entonação, com o mesmo ritmo e com o mesmo gestual: dedo indicador em riste, após tirar os óculos.


Ela me dizia quase recitando:

- A Vida é Sábia!

- e a vida só é generosa com quem é generosa com a vida!

Ouvi isso tantas e tantas vezes que não sei se por fé ou por falta dela, eu transformei isso em um mantra particular.


E foi repetindo esse mantra que depois daquele dia 23 de fevereiro, quando me vi sozinha, tentando juntar vários tecidos na esperança de obter alguma resposta para perguntas que eu desconhecia, eu saí por aí confiando nessa mulher chamada vida.

Saí rindo!


Saí dançando entorpecida de gentes, poesias e estrelas.

Saí por mundos distantes de Quintino, das sianinhas, das rendas e das fitas.

Saí a procura de generosidades, de brindes, de beijos, de justiças.

Andei muito, as vezes em círculos, contando sempre com o retorno generoso em taças, em outros brindes, em mais beijos e mais alegrias para todos.


E atualmente, muitos quinze anos depois, quando as vezes me perco no desamparo de um mundo longe dos aviamentos de minha mocidade, sonho como minha mãe a brigar comigo, como para me lembrar de que por fé, ou por escolha, por São Canuto ou Dona Canuta, costurando roupas ou histórias, a vida é sempre sábia e generosa, e merece sempre um brinde.


Um brinde a ela!


 

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