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Duas pequenas crônicas.



1) Dando um porre na solidão


Sábado à noite devolvi ao cabide a minha a farda de ermitão e de braços com a Solidão sai pela cidade. Estava desassombrado e pronto para enfrentar alguma fera que surgisse no caminho. Quem sabe encontrasse um Lobisomem ou uma onça solta pelas ruas de Resende. Andei, rodei, olhei... Nada. A cidade tem seus nichos de alegre balburdia noturna. Mas não era o que eu queria naquela noite e minha companheira, a Solidão não aprova certos ambientes. E eu, mesmo buscando o sobressalto, o doce susto do tête-à-tête com o perigo de quatro patas, o mistério, acabei indo me aboletar no sempre acolhedor, ‘Uai, Su!’. Que está longe de ser uma furna.


Ainda frustrado por ter encontrado apenas moinhos de vento para pelejar, sentei-me e, noite quente, noite pra cervejas, ofereci um copo à Solidão, que aceitou. Ela anda muito simpática comigo ultimamente. O cantante da casa destoava dos clichês do ‘barzinho e violão’ e mandava coisas fortes. Solidão, sentada a minha frente bebia feito gente grande. Dona Suely perguntou se eu estava triste, sem reparar na minha companhia. “Não, estou bem!”, respondi.


Após uma rodada de Vinícius, Cazuza e Chico, tomei coragem e sussurrei pra minha companheira: “E se eu encontrasse uma onça, uma fera selvagem ou coisa parecida?”. Ela esvaziou mais uma tulipinha e respondeu com a voz já meio pastosa: “Se você encontra um bicho desses, eu me mando e te deixo por aí”. Como é frágil a Solidão, pensei com meus botões. Derrubamos mais algumas garrafas fomos embora.


Solidão caminhava ao meu lado trocando as pernas. Bêbada, mas aparentemente, feliz. No fundo no fundo ela sabia que eu sabia que se ela, sentindo-se impotente ou assustada me abandonasse ao perigo, certamente me esperaria em casa, com seu jeito previsível de me confortar. A Solidão não é tão feia quanto parece. E até me faz sentir mais justo.



 

2) Morreu como um passarinho


A primeira lembrança que tenho da morte vem da infância. Era o retrato de um tio que eu nem conhecera, e que ocupava lugar de destaque com foto emoldurada sobre uma cômoda na casa da minha avó. O nome dele era Pedro, morto aos quinze anos. Segundo todos costumavam dizer, com uma ponta de mágoa e inconformismo, “ele morreu como um passarinho”. Foi a tísica, a dama armada de foice o levara. Minha mãe já namorava meu pai, mas eu não existia nem em projeto.


Pedrinho era o filho caçula dos meus avós e sua pesada lembrança, por vezes roubava meu prestígio de primeiro neto. Ele estava sempre presente, apesar de morto. A expressão “morreu como um passarinho” me acompanhou por toda a infância. Trazia a imagem de alguém dando seus últimos suspiros, sem muito alarde, indo aos poucos, se despedindo, e, sempre nos braços de alguém íntimo e querido. Uma agonia que se esvaia devagar e quase sem dor.


Há muito tempo não ouvia a expressão, até que numa manhã dessas, tomando café na ‘Lanchonete Mineira’ (atual Bar da Rosa), falou-se sobre a morte de não sei quem. O João (Vargem Grande) comentou quase sério: “Diz que morreu como um passarinho”. E antes que a antiga imagem voltasse melancólica à minha mente, o João completou quase cínico: “Faltou alpiste ou água. Coitado”.



Crônicas do meu livro ‘Fala, Botequim!’

Os ‘esbarrões’ com estrelas voltam na próxima semana.


 

Chora Cavaco!




Roda de Samba


 

Mário Lago e seu Mundo Musical.



Mariozinho Lago e os Cocorocas!



 

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