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DISFUNCIONALIDADES SOCIAIS


José Luiz Alquéres, conselheiro do Clube de Engenharia

A prefeitura do Rio de Janeiro anunciou com grandes pompas a publicação de um edital para a desapropriação do terreno da Caixa onde se localizava o Gasômetro, em São Cristóvão, para construção de um novo estádio e centro de convenções. De forma que não deixa de ser surpreendente, apregoa que é uma licitação direcionada ao Clube de Regatas do Flamengo.

 

Deve se destacar que em um círculo de 2 km de raio, esse será o quarto estádio de grande porte de futebol, ao lado do Maracanã, São Januário e Nilton Santos. Alguns desses estádios ainda demandam obras que facilitem o acesso e serviços públicos de segurança.

 

Esse novo estádio e os altíssimos investimentos que demandará terão efeito redutor nas receitas dos três outros e contribuirá para o agravamento das situações de disfuncionalidade urbana nas redondezas dos mesmos.

 

Seria bem melhor se a prefeitura incentivasse, como está fazendo nesse caso, a construção de complexos esportivos e sociais, geridos pelos grandes clubes cariocas, melhor distribuídos pelo espaço urbano e voltados não só para acolher grandes eventos, como para ter seu uso ao longo da semana compartilhado por escolas públicas, atividades sociais, convenções, cursos, academias de ginástica e para atividades pela terceira idade e incentivo a prática de esportes olímpicos. Isso poderia gerar milhares de empregos para profissionais de educação física e assistentes sociais, e assim, também, trazer benefícios para saúde pública em geral e redução dos custos da provisão de serviços médicos.

 

O que parece que está sendo ignorado é que devemos preparar a cidade para uma população mais idosa, de renda per capta mais baixa, com problemas de logística de transporte agravados e com uma enorme carência de equipamento social, não apenas para sua atual situação como para aquela do futuro próximo. O Maracanã, por exemplo, tem mais de 70 anos e tem ainda utilidade, ainda que comprometida por gestões claudicantes.

 

Na Roma antiga, a manutenção da ordem pública era conseguida pela ação de milícias e guardas pretorianas reunidas em torno de algumas lideranças políticas, que se revezavam na promoção de grandes eventos no Coliseu e desfiles denominados “triunfos” ou “ovações”, segundo os respectivos portes. O Rio de Janeiro parece ir pelo mesmo caminho, com seus megaeventos em locais inapropriados, como as suas praias, ou desfiles de escola de samba organizados pelos empresários do jogo do bicho, alguns dos quais associados ao crime organizado.

 

Enquanto isso ocorre, moradores das 60 mil residências de Ipanema, Leblon e Gávea convivem insensivelmente com os habitantes das 30 mil residências da Rocinha, muitas em condições sub humanas, cuja população em grande parte vive da prestação de serviços para seus vizinhos da “cidade partida”.

 

Por que não organizar um programa em que o lado mais rico e abonado dos bairros da planície contribua financeiramente e de forma direcionada para urbanização da Rocinha, com o Estado, prefeitura e concessionárias criando uma parceria público-privada para esse propósito? Por que não se foca na chaga aberta e se supera essa terrível injustiça social que prospera sob os nossos olhos?

 

A situação na Roma antiga tornou-se, com o tempo, insustentável e não houve repressão e força bruta que evitasse o caos urbano e o declínio da cidade de seus 1 milhão de habitantes para cerca de 50 mil.

 

Nós precisamos aprender com a história e por um basta imediato a situações de enorme injustiça social, antes que a este problema premente venha se somar as profundas adaptações na infraestrutura demandadas pelas mudanças climáticas que o planeta está sofrendo.


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