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Considerações sobre o Tempo




José Luiz Alquéres, editor


No início do século XX, muito moço, Thomas Mann ganhou o prêmio Nobel de literatura com o romance Os Buddenbrook, que retrata a decadência de uma família burguesa de Lubeck, cidade comercial no norte da Alemanha. A sua perspicaz narrativa, fortemente influenciada por fatores autobiográficos, inseria o passar do tempo na essência das relações descritas no texto. Anos mais tarde, em um segundo romance, A Montanha Mágica, ele disseca a sua noção de tempo.


É interessante notar que, na mesma época que na literatura Thomas Mann trabalhava esse tema, Albert Einstein, entre 1905 e 1929, consolidava uma nova visão da física moderna, que tem, igualmente, na reconceituação do espaço-tempo, o seu foco maior, na chamada teoria da relatividade.


Na Montanha Mágica, um jovem são vai visitar um primo internado em um sanatório para tuberculosos em Davos, na Suíça. Logo que chega é confrontado por um dos hóspedes ao responder que pretendia ficar por duas ou três semanas na visita. O hóspede, ignorante da situação, faz um muxoxo e diz: “meu amigo, isso não existe, o tempo aqui se mede em meses e semestres, e as pessoas sempre acabam voltando”. Ao longo da sua permanência, o jovem Hans vai sendo envolvido por essa nova atmosfera temporal, onde vê em cada outro hóspede uma expectativa de vida maior ou menor, uma resignação ao destino mais calma ou mais violenta, enfim, um tempo regido por campainhas distantes que marcam as horas de refeições, completamente isolado do mundo exterior.


Einstein também provou que o tempo é uma coisa relativa, mostrando que a luz percorre distâncias diferentes no mesmo intervalo, ou seja, o que é a constante universal é a velocidade da luz. Contrariamente ao personagem de Thomas Mann, que concluiu que o espaço é o que existe, pois ele pode vê-lo, Einstein demonstra que o espaço na realidade é medido pelo tempo, no caso, pela velocidade que a luz leva para percorrê-lo, com isso, alterando a percepção intuitiva de nós todos humanos e revolucionando o estudo da física.


Passados cinco meses da posse do presidente da República, o novo governo parece pairar entre Mann e Einstein no paradoxo do não-tempo. Os jornais nutrem a expectativa de algo que pode ocorrer ou mesmo que vai ocorrer. Quando ocorre, não produz o menor impacto ou, às vezes, um anti-impacto, como o famoso ato golpista de 8 de Janeiro, que ora é atribuído à direita radical ora é favorecido para finalidades de exploração política pelo governo atual. As tonitruantes medidas ambientais e de proteção aos povos originários, que tanta repercussão encontraram na mídia internacional, são varridas para baixo do tapete como se nunca tivessem existido. Um novo modelo econômico é votado, mas para entrar em vigor demandará muitos outros instrumentos complementares, ainda imprevisíveis para sua efetivação.


Na realidade, o nosso governo está em Davos, aquele de Thomas Mann, e não o do Centro de Estudos Econômicos da atualidade. Perdeu-se a noção do tempo, o que desde o início da pandemia de Covid-19, já nos havia afetado e agora se acentua com essa combinação de paralisia administrativa, medidas inócuas e patéticas idas e vindas.


Jamais gostei da expressão “time is money”, que precifica o bem mais precioso da existência humana, que é o tempo. O tempo não tem preço, porém tem um enorme valor para nós e para as futuras gerações e nós estamos a ignorá-lo. Enquanto esperamos, cantemos com Chico Buarque: “o estandarte do sanatório geral vai passar” ...


 

Música, Cultura, Economia Criativa.



Estou escutando agora na Cedro Rosa a música Brasileiro da Gema, de Tuninho Galante e Marceu Vieira, uma homenagem ao Rio de Janeiro, tão combalido, mas tão amado.



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