Coisas que acontecem no ponto maior do mapa.


Era um bar amplo e naquela altura tinha poucas mesas ocupadas. Nelas, os ocupantes eram senhores que tinham ao lado, e até em alguns casos, ao colo, jovens travestis. Escolhemos uma mesa próxima da saída, com visão aberta da rua. Já era dia claro e Evandro dedilhava mais uma pérola quando, num breve intervalo, dois travestis se aproximaram de nossa mesa e um deles se dirigiu ao Mariozinho, indagando, meio tímida. Mas isso já é o final dessa história.

A Lapa sempre foi mítica aos meus ouvidos e isso desde muito cedo. Em criança ouvia os mais velhos falarem dela, era cantada em versos que ecoavam pelos rádios de casa, da casa de minha avó, da minha tia (Lapa, minha Lapa boêmia / A lua só vai pra casa / Depois do sol raiar). Até certa vez eu ouvi minha mãe espraguejar contra meu pai sobre uma suposta amante dele: "você tem uma vagabunda da Lapa, seu cretino!".


Passei a frequentar mais fielmente o bairro boêmio, depois do seu mais recente renascimento, com a música sempre puxando o cordão. Antes minhas incursões se limitavam a uma ou outra ida ao Circo Voador, e com mais frequência ao Bar Brasil, ao Arco-íris. O ‘Semente’ está mais firme na memória do pontapé reinicial, e logicamente o ‘Carioca da Gema’, a meu ver, uma certeira inspiração de como o samba e os sambistas devem ser tratados.


 

Escute a Playlist - Os Grandes Mestres do Samba –