CLINTON




O maior problema da vida do Clinton era a necessidade de explicar, toda vez, que o nome era uma homenagem do pai ao Clint Eastwood e não ao presidente, que se tornou personalidade mundial bem depois dos faroestes que celebrizaram o ator armamentista.

Crescera numa família repleta de Franklins, Washingtons, Wilsons, Johns e outras homenagens a americanos diversos, do cinema, da política, das guerras, da música. As festas da família sempre pareceram uma convenção partidária em época de primárias americanas ou algum dos memoráveis episódios do “Avesso da Vida”, publicado durante anos no jornal O Dia, do Rio de Janeiro, em que os personagens tinham nomes curiosíssimos.


A singular família do interior do Brasil, além dos nomes, dera aos filhos razoável conforto material e possibilidades de desenvolvimento pessoal. Clinton deixara o Mato Grosso, onde crescera tangendo gado no Pantanal, para se tornar advogado em São Paulo. Nunca superara, no entanto, apesar da assertividade necessária ao exercício da profissão, a dificuldade no trato pessoal, mais acostumado que fora à lida com os animais.