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Cláudio Menandro e Paulo Moura, craques da música, essa nossa cachaça pura e estimulante





Cachaça de verdade mesmo eu conheci quando me mudei para o Sul Fluminense. Mais precisamente, para Resende. Na passagem por Angra dos Reis, onde morei por cerca de três anos, conheci uma beberagem simpática à base de cachaça, com mel, cravo e canela, chamada Gabriela. Doce. Para sorver como licor. Bebidinha que até cairia bem nesses recentes tempos de um maio glacial. Mas cachaça mesmo, branca, cheirosa, gostosa, só conheci quando cheguei aqui. Foi quando, por força do trabalho visitei alguns alambiques e entendi mais um pouco desse nosso nobre e tão mal tratado destilado. Logo fui apresentado a duas cachaças locais que mais ou menos dividiam os apreciadores: Fontanezzi e Capelinha. Acabei me afeiçoando à Capelinha, que me pareceu mais branda. Melhor para um neófito. Visitei algumas vezes o alambique que ficava num belíssimo recanto da área rural que dava nome à cachaça, a Capelinha, aos pés da Mantiqueira.


Na localidade, conheci alguns membros da numerosa e tradicional família Menandro, alguns deles ligados à produção da cachaça, outros, peritos em áreas distintas. E todo esse papo meio etílico foi para introduzir a conversa sobre um desses Menandro, um tal Cláudio. Ele é músico, um virtuose das cordas e que mal o conhecera e já se mudara para Curitiba, cidade que o abraçou e onde granjeou sem muita demora, um prestígio consistente como artista sensível e talentoso que é. Cláudio é acima da média. Participou de festivais internacionais que o levaram a mergulhar na música barroca e renascentista. Por conta disso adotou a viola de gamba o que não atrapalhou em nada, muito ao contrário, dialogou com a paixão pela cultura musical popular, assumindo o bandolim, o cavaquinho, seduzido que foi pelas rodas de Choro.


Seu primeiro disco foi com clássicos para violão. O segundo já foi com choros e valsas. E Cláudio Menandro saiu a zanzar pelo mundo. Na Europa estudou, tocou e junto com o violonista Ahmed Salamouny e o percussionista brasileiro Gilson de Assis, no Projeto Três, disseminou a música brasileira no velho continente. Da época resultaram três CDs. Um deles, o ‘Sombra e Água Fresca’ de 2002, autoral, que contou com a participação do clarinetista Paulo Sérgio Santos. Em 2006 lançou o CD ‘Descansado’, também de composições próprias. Em paralelo integrou a Orquestra À Base de Corda de Curitiba, como instrumentista e assistente de direção. Época que acompanhou estrelas como Dominguinhos e Mônica Salmazo.


Certo dia Cláudio Menandro recebe um telefonema do também músico e produtor cultural o seu conhecido, Álvaro Colaço que fala do Projeto Circular Brasil. O mentor e realizador do projeto, o músico e compositor, Marcelo Guima procurara Colaço como fizera com outros agitadores musicais do país para eles indicarem músicos nas suas regiões, para participar do projeto. O Circular Brasil tinha o objetivo de promover o intercâmbio no cenário musical do país com apresentações de música instrumental e teria a presença dos reluzentes Quinteto Violado, Armandinho, Quarteto Maogani, Carlos Malta, Paulo Moura e outros. Por sugestão de Colaço, Cláudio Menandro enviou o CD de Waltel Branco, grande musico paranaense e, na garupa, os seus discos. Marcelo Guima acabou escolhendo justamente a música de Cláudio Menandro. O projeto unia músicos consagrados a artistas pouco conhecidos. Cláudio quase caiu da cadeira quando Colaço ligou e disse que Guima gostara das suas composições e o colocara para fazer dupla nas apresentações com nada mais nada menos que o músico, compositor, maestro, arranjador, saxofonista e clarinetista Paulo Moura. Cláudio ligou a Paulo Moura a pedido de Guima e combinaram como seriam as apresentações. E para sua surpresa e imensa satisfação, a fera pediu para tocar um Xote seu.


Cláudio Menandro comenta com entusiasmo esse período que conviveu com Paulo Moura. “Um cara gentil, simples, oposto do que falavam, que seria alguém de difícil convívio. Nada disso. Um sujeito bem humorado, amigo, generoso, altamente profissional e zero babaquice”. Os dois se apresentaram em bons teatros apoiados pela eficiente estrutura do projeto. Tocaram em Campinas, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife. Paulo Moura mais tarde indicou Cláudio para ser jurado de um muito prestigiado Prêmio de música no país. Certo dia Moura chamou Cláudio para vir ao Rio. Foram à Lapa e no dia seguinte à maravilhosa e saudosa Modern Sound, em Copacabana. Cláudio e sua companheira Helena, presentes. Lá para as tantas, Paulo Moura no palco chamou e encheu a bola do Cláudio. “Senti a grandeza e a delicadeza do cara. E quando saímos, ele falou uma coisa que até me emociona quando lembro. Ele disse: bem, acho que é a última vez que a gente se vê. Na hora eu pensei que ele não queria que o procurasse mais. Mas ao mesmo tempo senti que isso não batia com toda a generosidade com que ele me tratara até ali. Eu ligara para ele apenas uma vez, não é meu estilo perturbar as pessoas. Meses depois ele ficou mal, e logo morreu. Ele estava se despedindo de mim e não quis dizer. Foi uma experiência que eu guardo fortemente no coração”. Cláudio me contou essa passagem sinceramente emocionado. Estou feliz de tê-lo hoje como um parceiro de música. Parabéns Cláudio e obrigado pela oportunidade. Grande abraço, amigo!


“Eu fiz a letra de um samba

Vou te enviar meu irmão

Com simples rimas sinceras

Pra germinar a canção

São versos bem transparentes

Carentes de inspiração

Mas ganharão nova vida

Nas cordas de um violão (...)

(...) Abraço nobre parceiro, que os versos te encontrem bem

E faça um samba sereno, que não maltrate ninguém

Se existe uma verdade, melhores tempos virão

Eu sugiro humildemente um samba de estimação” (

Samba de Estimação – Cláudio Menandro/Laís Amaral Jr.)


 

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