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Antônio Fraga: um quase esquecido gigante das nossas letras. (2ª parte)


Antônio Fraga

Eu passava uns dias em Maceió, e ao sol da Jatiuca corro os olhos para a infalível página do Zuenir Ventura no Segundo Caderno do JB. Deparo entre surpreso e eufórico, com a entrevista do Antonio Fraga. Era 1985 e a matéria do próprio JB, ‘A solidão de um grande escritor’, de Maurício Stycer motivara o então Presidente José Sarney a oferecer um emprego a Fraga. Ele vai trabalhar na Legião Brasileira de Assistência, no Rio. Aos 69 anos, é a sua primeira carteira assinada.


Dias depois estou junto ao balcão de atendimento no meu local de trabalho quando reparo num senhor me encarando em silêncio. Bem vestido, de terno azul marinho, camisa branca, gravata escura, cabelos pretos (pintados) cortados e penteados, óculos escuros à moda Lennon. Apertei meus olhos míopes e identifiquei com algum esforço. Não mais os cabelos longos e grisalhos (mais para brancos), a camiseta, a bolsa tiracolo e a boina de crochê. E um luxo: agora com dentes. Notei a perereca quando disse: “Te espero no café”. Era Fraga, repaginado.


Era quase comum nos fins de tarde ele aparecer: “Filho, te espero no Café”. O jeitão afrancesado de denominar a lanchonete vizinha do meu serviço, com suas fórmicas e vitrines envidraçadas. Na mesa, a xícara de café já vazia e o chão em torno, salpicado de cinza e pontas de cigarro. A jovem garçonete que rapidamente se afeiçoara ao veterano escritor brincava com ele retirando da mesa o cinzeiro, sempre limpo, para colocá-lo no chão: “Pronto seu Fraga vê se agora o senhor acerta”.


Não era raro encontrá-lo rabiscando alguma coisa numa folha de papel, cabeça muito baixa e os olhos enfraquecidos quase grudados na garatuja. Nas primeiras vezes achei que fosse literatura. Mas eram cálculos, incompreensíveis para mim, que segundo ele comprovavam a existência de uma quinta operação matemática, que ele em vão perdia tempo em me explicar. Dali, saíamos para um bar conhecido aonde mais tarde chegariam os amigos notívagos. Lá ele continuava me falando de matemática e da sua tese que rebatia a mais conhecida explicação para a extinção dos dinossauros.


 

Escute a Playlist – MPB de Alta Qualidade - Youtube

 

Não pretendo aqui esmiuçar o escritor Antonio Fraga. Falta-me capacidade e a esse trabalho imprescindível já se dedicou a sua biógrafa Maria Célia Barbosa Reis da Silva, que publicou pela editora Garamond em 2008, Antonio Fraga, personagem de si mesmo. Aqui, apenas o meu convívio com esse personagem fantástico. Intenso, nas duas fases que o conheci. Que antes de se transformar no servidor da LBA, já iluminava os caminhos com seu rastro luminoso. Em 1980 participou com nosso grupo e outros jovens escritores, da coletânea de contos, ‘Pau de Sebo’. Incluiu dois contos seus.


E depois de repaginado, de terno, cabelo pintado etc. Fraga dispensava o motorista da LBA e ia de trem para a Baixada. Saltava na estação de nova Iguaçu para nossos encontros. Mais tarde pegava o trem para Queimados, duas estações depois.


Atencioso e generoso. Quando eu já estava bem envolvido com o jornalismo, me aconselhou a tomar cuidado com a atividade que poderia me prejudicar como escritor. “A objetividade pode ocupar o lugar da fantasia”. E numa noite de sábado no ano de 1987, num fracassado relançamento do meu livro de poesia ‘Tanajuras em Brasa’, frente a uns dez gatos pingados Fraga nem ligou e abriu o evento falando do livro, de mim e, para surpresa geral, cantou uma canção sua, à capela. Emocionante. E foi o que valeu a noite.


Eu nunca consegui retribuir esse gesto. Diferente do amigo Hugo Freitas, outro personagem fascinante, que como agente cultural do CIEP de Queimados brigou e conseguiu dar o nome do escritor à biblioteca da escola. Hugo e Fraga se tornaram grandes amigos. Em 1993, eu morando no Sul do Estado já há cinco anos, soube da morte de Fraga. Senti o baque e rebobinei na mente a cena final de um documentário feito pela TV Educativa do Rio que termina com ele caminhando para o horizonte, feito Carlitos, ao som da canção de Caetano Veloso.



“Os filhos, filmes, ditos, livros como um vendaval (Vendaval) Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual Já tem coragem de saber que é imortal”


(O homem Velho – Caetano Veloso)

 

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