Ano de 1810 *


Lais Amaral Jr.

O príncipe regente, Dom João VI era tido por quem documenta a História, como um gestor inseguro quanto à tomada de decisões. É proverbial o seu titubear quando era preciso decidir, entre uma e outra alternativa. Mas os fatos que ficaram mostram que o soberano também podia ser decisivo, e o foi, ao rascunhar uma identidade de país para principal colônia de Portugal.


Assim que por aqui pisou as sapatilhas reais, dom João foi logo implantando instituições que mexeram definitivamente com o destino da terra de Santa Cruz. Entre elas, a Academia Real Militar, criada em 1810 no Rio de Janeiro. O objetivo era formar oficiais de artilharia e engenharia, geógrafos, topógrafos, além de ministrar estudos práticos da ciência militar. O gajo teria se inspirado na Escola Politécnica de Paris e na Universidade de Coimbra. Essa iniciativa ainda iria desaguar e influenciar fortemente no desenvolvimento de um povoado localizado a menos de 150 quilômetros ao sul da capital. O destino colocara os holofotes numa encruzilhada lá na frente, aos pés de um majestoso conjunto de serras batizado pelos indígenas de Mantiqueira. Aos pés da qual se assentava esse povoado, uma freguesia de nome bem comprido.