Anitta é inteligente, criativa, talentosa e desperta preconceitos.

Com exceção das brigas políticas e partidárias que acirraram muito os ânimos desde o golpe na Dilma, que derrubou todos nós, há muito que eu não assisto a uma indignação coletiva tão exacerbada quanto a esta que o novo clipe de Anitta vem provocando.


A divisão desta vez não se dá entre os tradicionais grupos de direita e esquerda mas, de certa forma, não foge muito disso quando se nota nas críticas um conservadorismo elitista ao não aceitar que o país seja apresentado no exterior pela imagem de uma mulher mestiça que, apesar de cantar bem em português, inglês e espanhol, explora ao máximo a sua sensualidade, sensualidade esta que é a cara do seu povo. E é exatamente esse povo, nem sempre atraente para os padrões das classes alta e média, que se identifica, ama e se orgulha da Anitta.


Pela estética e moral da elite brasileira, seu modo de cantar é extremamente vulgar. No entanto, os zeladores dessa classificação não se sentiram incomodados, no passado, com as performances das sexies falsas loiras e ruivas Marlyn Monroe, Bregitte Bardot, Rita Hayworth ou Madonna.