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Amor Cósmico: 0 Eclipse do Sol




Acabei de ver o eclipse do sol. Saía de casa com meu cachorro, lá pelas onze e meia da manhã, pensando que o fenômeno celeste ja tinha no mínimo acontecido, pois que se faz tamanha onda em torno de eventos cósmicos, dos quais muitas vezes quase nada, ou mesmo nada, se vê.

Nessas ocasiões, a indústria se aproveita e fabrica todo tipo de parafernália temática em torno do evento.


Disseram-me que o eclipse de hoje poderia ser visto `as dez e meia da manhã, Pacific time, mas da cozinha, eu podia ver a luz do sol lá fora, fixa e constante. Sabia que nessa área não faria noite total, mas mesmo assim, se algo pudesse ser visível, alguma diferença deveria se poder notar na luminosidade do dia.


Livre do interesse de ver a eclipse, fui saindo com o cachorro porta fora, e me surpreendi quando o jardineiro apontou pra a calçada, `a beira da qual crescem várias de nossas plantas, e me disse, "Olha o eclipse!"


Nunca pensei poder ver sinal de eclipse no chão, mas as pequenas formas de sombras em meia lua que ali vi, repetidas infinitamente, me pareceram a princípio serem meras projeções das folhas das arvores. Foi então que percebi a verdadeira sombra destas folhas, e me dei conta de que as projeções que tinha visto antes, como tinha dito o jardineiro, eram sombras da própria eclipse: mil formas que, parecendo repetições de pequenas letras "C", ou luazinhas crescentes, correspondiam na verdade `as fatias de sol cobertas pela lua. Bem ali naquele chão podia ser visto o eclipse.


Por mais que se explique os fenômenos supostamente naturais, a primeira vez que vejo um deles, sinto-me diante de um milagre; um fato livre de quaisquer causas físicas ou materiais. Um fato em si. Sabe-se lá...

Se, para justificar a lei da causalidade e rejeitar o que deve ter considerado “acaso” na física quântica, Einstein declarou que Deus “não tira sorte com o universo”, por que não considerar que ao invés de “acaso”, há na verdade livre arbítrio no mundo subatômico? A natureza também tem alma, e se não a percebemos no mundo diretamente observado, ela se esconde no mistério do microuniverso.


O que vi, no que tomei como sombra das folhas, foi o mundo da terra refletir o do céu; o solo ecoando o cosmos. As mil eclipsezinhas no meu chão eram mil céus sobre a minha cabeça!

Entrei correndo e peguei os óculos adequados para olhar o sol diretamente e levei o cachorro rua acima entre exclamações de maravilhamento,

 

Dizem muitas coisas sobre eclipses. Geralmente, as pessoas têm medo, talvez pelo evento concernir uma interrupção da luz emitida pelo astro rei. Soube de gente que nesses dias nem quis sair de casa. Alguns falaram que tal evento cósmico anuncia reajustes e/ou quebras de relações, e ainda outros em novos começos.


Evito me agarrar com interpretações que sirvam `a coletividade e por isso não tenho interesse em astrologia. Mas quanto a outras previsões, houve gente pensando que o mundo não passaria do ano dois mil, por causa do gesto do Menino Jesus de Praga. Outros, traduzindo calendários da antiguidade e sabe-se lá mais o que, tiveram uma certeza tão fanática quanto obsessiva, chata, e derrotista, que o ano 2012 seria fatídico. Mas ninguém a vinda do Covid. Bem ao contrário, Yuval Harrari, que so faz previsões baseadas nos fatos e na ciência, anunciou, em seu livro Sapiens, que a humanidade havia ultrapassado a ameaça de pandemias e grandes guerras. Sabemos o que aconteceu não muito depois do sucesso do Sapiens!


Querer prever a qualquer custo é tentar se proteger do imprevisto, do que a Deus pertence. Incapaz de suportar o que está além de si, o ego gosta de certezas que confirmam a própria limitação da sua natureza; a incapacidade de se abandonar. A incapacidade de, na verdade, deixar para Deus o que a Deus pertence.


Eu tinha ouvido coisas sobre a eclipse, mas só posso acreditar no que eu própria senti no que vi e que foi tão lindo. Olhos nos olhos do satélite e da estrela, apreciei a ousadia humilde da lua cobrir o sol ao passar, obediente, delicada, e reverente, com a harmonia languida de uma carícia que, espraiando-se nas diversas camadas do azul ao redor, não deixou de ser fiel ao contorno de seus corpos celestes, agraciando de brilho a precisão tenazmente redonda do encontro de suas linhas.  O que vi, foi o mistério de um grande ato de amor; um copular cósmico.


 

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