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Alfredinho, página feliz na nossa história


Alfredinho do Bip Bip


A próxima segunda-feira, dia 13, não é uma segunda-feira qualquer. Nessa data, há exatamente 53 anos, 13 de dezembro de 1968, ocorreram dois fatos dignos de serem lembrados. Lembrados pelo bem e pelo mal. Pelo o mal, por ser uma passagem que já pode estar desbotada na memória das nossas novas gerações, para que não esqueçam, e, para que jamais se repita. Nesse dia foi decretado pelo governo militar o Ato Institucional nº 5. O famigerado AI-5, que fechou o Congresso Nacional, cassou 181 parlamentares, calou o Judiciário, instituiu a censura nas redações dos jornais e, segundo o Observatório da Imprensa, vetou 500 filmes, 450 peças teatrais, 200 livros, 500 canções e foi a partir dele, que as barbaridades que ocorriam nos porões da ditadura se multiplicaram e que artistas foram perseguidos, exilados, sem que a maioria do povo ficasse sabendo. Pelo bem, é que exatamente neste dia, era fundado em Copacabana, o lendário Bip-Bip.


O bar, localizado no número 50 da pequena e pacata rua Almirante Gonçalves 50, era um pit stop para se tomar uma batida na ida ou na volta da praia. Segundo a lenda, naqueles dias, com o AI-5, aferrolhando ainda mais ditadura militar, o Bip Bip ganhou um frequentador, um certo Alfredo, preocupadíssimo com os rumos do país e com seu próprio futuro. Ele parava ali para espairecer. E esse cliente, dezesseis anos depois, transformaria aqueles exíguos 18 metros quadrados no menor/maior bar de samba (incluindo outros ritmos) do Brasil. E, segundo o grande Jaguar, no único bar sem fins lucrativos.

Alfredo Jacinto Melo, o saudoso e querido Alfredinho, o ‘Neném’, não era compositor ou intérprete de Samba. Mas quem há de negar a sua íntima ligação com o nosso gênero mais querido e popular? O Bip, para os íntimos, é, reconhecidamente um dos mais respeitados e legítimos redutos do Samba na Zona Sul do Rio. Ou, melhor dizendo: da cidade do Rio de Janeiro. Do Estado do Rio de Janeiro. Tirando um percentual de exagero do mestre Jaguar, o Bip Bip sob a batuta de Alfredinho, encabeçou inúmeras ações de assistencialismo e solidariedade, até junto com Betinho, em apoio aos desassistidos.


CD do Bip Bip - Ouça.


Afeiçoei-me ao Alfredo desde a primeira vez que pus os pés naquele mítico estabelecimento. Já conhecia a fama de ambos (dele e do bar), mas como o destino me empurrou para longe do Rio, custei a conhecê-lo pessoalmente. Fui levado por um amigo comum, o músico, Evandro Lima. Me encantei e a vontade era morar naquela pequena rua de Copacabana. Seria como ter o Bip-Bip no meu quintal.


Acredito que a fama do Alfredo se sustentava no tripé: generosidade, solidariedade e alguma rabugice. Certa vez presenciei ele pedir uma pausa aos músicos e passar um pito nos fiéis frequentadores, em débito com a contribuição para a família da Rosinha de Valença. A instrumentista estava entrevada numa cama de hospital com despesas que a família tinha dificuldades para cobrir. Ele comprava fraldas geriátricas para a artista.


E se o Bip-Bib não condizia em tamanho com a fama e o seu prestígio nacional, o Alfredo também tinha um coração imenso, que, em tamanho não era proporcional ao porte físico do seu portador. E a campanha para ajudar a família de Rosinha de Valença era apenas uma das muitas iniciativas que comprovam a alma generosa daquele homem. Alfredinho era muito grande.


A proverbial rabugice é parte indivisível da aura folclórica do bar. Como também eram folclóricas suas broncas em defesa dos músicos. Outra vez foi uma advertência aos ocupantes de uma mesa (que ficam na calçada). Ele chegou com aquele seu jeitão sarcástico e jeitoso e disse: “Se a música estiver atrapalhando a conversa de vocês, eu peço aos músicos para pararem”. É assim o Bip-Bip. Um

santuário que tem lá suas regras. Entre elas, o respeito amplo, geral e irrestrito aos músicos.


Diz a História ou reza a lenda, que Alfredo comprou o bar em prestações saudando parte da dívida com doses de uísque ao antigo proprietário. E que Cristina Buarque, então vizinha, teria sido fundamental para que o bar se tornasse essa espécie de templo do samba e da MPB. Realidade mesmo é que por lá passaram grandes nomes da nossa música e também grandes artistas menos conhecidos.


Bom lembrar ainda que nem toda a vizinhança recebeu Alfredo como a irmã do Chico. No início a vizinhança chiava pelo barulho das noitadas musicais, foi então instituído o aplauso com o estalar de dedos. O barulho praticamente acabou. Quando alguns desavisados quebravam essa regra, Alfredo soltava o retumbante grito de fazer inveja a Dom Pedro I: “Vocês querem me fuder!!??”




Também não era incomum Alfredo sugerir a clientes inadaptados ao Bip: “aqui não tem TV, não tem tira-gosto, não tem caipirinha. Há um monte de bares legais por aí. Tem o Ellas, na outra calçada, que é um bar muito bom”. Assim era o Alfredinho. Dia 2 de março de 2019, sábado de Carnaval, ele se foi. E que saudade! Mas o Bip Bip, continua lá. Impávido. Cheio de gente sensível, talentosa, simpática e com uma presença invisível, a zelar por tudo. É o espírito da casa. Fique bem.


“Tem papo furado e papo cabeça

Um samba de mesa pra valorizar

Frequentam doutores, poetas, cantores

Quem lê, quem escreve ou apenas quem bebe

Nortistas, sulistas, paulistas, mineiros e até estrangeiros chegam por lá

Uma união peculiar / É o Bip Bip esse lugar” (A Casa do Alfredo – Gisa Nogueira)





 

Bip Bip .





 

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