A Produção Está em suas Mãos

No quadro planetário, penso como aqueles que entendem a importância da SOCIEDADE como inexcedível e, até mesmo, inigualável. Vejo como aqueles que vêem a PRODUÇÃO com inexcedível e inigualável importância - ainda que não suficiente - para a manutenção da SOCIEDADE. E, finalmente, penso, vejo e estimulo a tomada da CONSCIÊNCIA VOCACIONAL como indispensável para que a PRODUÇÃO atinja o limite de seus ‘possíveis’.


E, assim, desde muito cedo, trabalho com a convicção de que não nos basta PRODUZIR com a disposição do ZELO e DEDICAÇÃO PROFISSIONAIS, pois todos os impulsos melhor QUALIFICADORES e QUANTIFICADORES da PRODUÇÃO são provocados e mantidos pela dupla APTIDÃO-e-VOCAÇÃO, pois não nos adiante dispor de uma sem a outra, porque se o EXERCÍCIO SOLITÁRIO de VOCAÇÃO ou APTIDÃO produzir RESULTADOS, estes serão limitados.


Quando moleque, eu adorava jogar futebol. E jogava bem. Era um menino, e, depois, um rapazinho, apto para o esporte. Mas eu não conseguiria viver daquela atividade. Na verdade, eu estava apto (técnica e fisicamente), mas não era vocacionado. E, de igual maneira, não me adiantava estar vocacionado para o futebol se não dispusesse dos instrumentos físicos, por exemplo, exigidos para a prática.


No ano de 1974, ministrando aulas de ‘TEORIA da LITERATURA’ na Faculdade de Letras da UNISUAM, seu Diretor, meu ex-Professor e inspirador JOSÉ MARIA DE SOUZA DANTAS, me pediu que acumulasse algumas aulas – ainda que temporariamente – na Cadeira de PRÁTICA de ENSINO de LÍNGUA E LITERATURA. Apesar de ver elevada a carga operacional pela necessidade de incorporar alguns conteúdos metodológicos inerentes à disciplina, não houve qualquer dificuldade – digamos – palpável. Pelo contrário : eu me senti muito feliz por ser útil, também, na passagem de experiência (sempre acompanhada da reflexão, nas dimensões de sua conveniência técnica e contemplação didática. E o CAPÍTULO da VOCAÇÃO era, indiscutivelmente, uma das mais básicas advertências : “


Atenção, atenção, Amigas e Amigos, neste próximo ano, vocês sairão daqui como PROFESSORES !!! Pensem bem na RESPONSABILIDADE que estarão assumindo em relação ao OUTRO. Não esqueçam que... NADA MAIS IMPORTANTE DO QUE A SOCIEDADE. Por isso.... MUITA ATENÇÃO !!! E, a partir desta introdução meio-publicidade e meio-propaganda a TURMA JÁ ESTAVA PREPARADA PARA O APELO : “ AINDA HÁ TEMPO DE DESISTIR !!! CASO NÃO ESTEJAM 100% CONVENCIDOS DE QUE SÃO PROFESSORES...... SIMPLESMENTE.... NÃO SEJAM.


Tenho certeza absoluta de que todos vocês já viveram - isolados ou em grupo – a EXPERIÊNCIA de se ter um Professor que todos reconheciam como uma ASSUMIDADE. Cultura geral exuberante. Cultura específica fantástica. Amabilidade ilimitada. Simpatia a qualquer prova. Pontual.... SIMPLESMENTE IMPRESSIONANTE. Mas.... Porém... Contudo.... Todavia.... Entretanto... SEU SABER ERA TÃO GRANDE QUE.... não conseguia descer até o nível dos alunos. Simplesmente, os alunos não o alcançavam... os alunos não o entendiam.... PERGUNTO : QUE NÃO VIVEU, AO MENOS UMA VEZ, este tipo de experiência ???? Pois eu coloco sobre a mesa um DESAFIO À REFLEXÃO : o PROFISSIONAL gostava tanto, tanto, tanto de MATEMÁTICA ou FÍSICA ou QUÍMICA ou BIOLOGIA ou HISTÓRIA ou GEOGRAFIA ou....LITERATURA... que resolveu ser PROFESSOR do ASSUNTO DE QUE GOSTAVA.


Com diz Mário Vianna com 2 NNs : ERROU !!! UM PROFESSOR – SEJA QUAL FOR O ASSUNTO, TEM QUE QUERER SER....... PRO FES SOR !!!!!!! O compromisso OPERACIONAL de um PROFESSOR É COM O ENSINO, seja qual for o CONTEÚDO a ser ENSINADO. VAMOS CONVERSAR DIREITINHO SOBRE....SOBRE....CONSCIÊNCIA VOCACIONAL.


Em Abril de 2003, meu PROJETO fundamentalmente voltado para a CONSCIÊNCIA VOCACIONAL DO POTENCIAL MÚSICO LOCAL – Casa da Bossa Nova – TOCA do VINICIUS completava 10 anos de INSTALADA, ou seja, com teto, comida e roupa-lavada. Aluguei uma pequena loja em Ipanema, deixe personalidade jurídica e disse : “VAMOS !!!”. Exatamente em 2003, 2 vizinhos meus – em Ipanema – o conhecido joalheiro Caio Mourão e o chef Joaquim Campos me mostraram umas 18 placas de cimento com pares de mãos notáveis gravadas entre 1969 e 1977. Chamavam o conjunto de ‘Calçada da Fama’ e guardavam as placas na Gorceix e, mais adiante, na Região dos Lagos. Eu já conhecia a história daquela curtição porque, na mesma noite de 1969, em que OS MUTANTES gravaram suas mãos, lá pelas 23h30, eu voltara da faculdade de Letras onde estudava (1969, repito) e estava comendo um CANGURUBURGUER no GORDON, em Copacabana, onde eu morava.


OS MUTANTES chegaram de bugre com aquela tremenda alegria e ficamos sabendo que estavam voltando de Ipanema onde foram gravar suas mãos. TROCANDO EM MIÚDOS : Caio e Campos me ofereceram as placas por um dinheiro que eu não tinha. Eles se ofereceram a receber em 10 parcelas com cheques. IMEDIATAMENTE, eu LEVANTEI VÔO, conversando comigo mesmo : “PÔ, CARLÃO, PARTINDO DESSAS PLACAS VOCÊ PARTE PARA UM MONUMENTO À PRODUÇÃO em SEGMENTOS. FOMOS AO CARTÓRIO DE IPANEMA, FIZEMOS UMA ESCRITURA DE COMPRA-E-VENDA e CRIEI UM PROJETO que denominei CALÇADA DA FAMA DE IPANEMA. E, até o ano de 2019, transformei as 18 placas que comprara, em 126 placas, que, um dia, estarão expostas AOS PÚBLICOS PARA LEMBRAR OS PERCURSOS DOS DONOS DAS MÃOS nos ESPORTES, no TEATRO, no CINEMA, nas ARTES PLÁSTICAS, na LITERATURA, No JORNAL, na TV, no CINEMA, na ARQUITETURA, no ENSINO, na MÚSICA, na RELIGIÃO, no PODER PÚBLICO... e, assim sucessivamente.


HOJE, dia 8 de Março de 2021, faremos, aqui, na REVISTA CRIATIVOS, aquilo que fiz, anualmente, desde 1993 até 2019 : CELEBRAR A MULHER EM SUA DATA INTERNACIONAL. Para t