A música carioca no século 21, por João Callado


Luta, sobrevivência, adaptação… essas são algumas palavras que estão muito presentes no vocabulário do músico carioca (e brasileiro) nos últimos anos.

Crises econômicas e políticas vieram e fizeram seus estragos. E parece que quando o Brasil não vai tão bem, seus gêneros musicais mais característicos (como o samba, por exemplo) também não vão.

Comecei a tocar profissionalmente no momento da revitalização da Lapa, e toquei muito lá. Lembro desse bairro bem abandonado, no fim da década de 90, e acompanhei seu desenvolvimento. Muitas casas de música ao vivo abriram, com muito movimento, muito público, dinheiro… Vi também, a partir da 2ª década deste século, a decadência chegando à Lapa. O dinheiro ficando mais escasso, e boa parte do público preferindo opções mais baratas, ou simplesmente outras opções.

Existe espaço e oportunidade, e é preciso se reinventar. Se inscrever em editais, estudar e usar a internet como arma profissional, estudar outros instrumentos, outros gêneros… desafios que são bem vindos; mas a verdade é que a situação está difícil e com a pandemia piorou. Além da(s) crise(s), o mercado fonográfico e de shows está mudando muito e parece que pra quase todo mundo ficou mais difícil viver de música.

Solução? Avião ou união. Isso mesmo, muitos músicos saíram do Brasil e estão tentando a sorte em outros países em situação melhor; e para os que ainda estão aqui (como eu), parece uma boa idéia se unir e encontrar uma saída coletiva para a classe musical.

Enquanto isso, luta, sobrevivência e adaptação.


 

João Callado é cavaquinhista, compositor, arranjador, diretor e produtor musical.<