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A mídia impressa e a desgraça


José Luiz Alquéres


Se acompanharmos as manchetes nos jornais nos últimos 30 dias veremos que elas começam falando da COVID e suas recentes variantes.

Uma semana depois o assunto passou a ser as enchentes de Petrópolis e a devastação causada nessa cidade. Por fim o tema se move para a guerra na Ucrânia. Lembro como em crises brasileiras alguns setores governamentais envolvidos rezavam para pintar uma desgraça qualquer que os tirasse da evidência. Sair da evidência era como ter o problema resolvido. Acontece que nesses casos não é isso que se dá, nem a Covid nem a situação em Petrópolis estão resolvidas. E a guerra da Ucrânia segue com sua marcha absurda e insensata a causar sofrimentos. E a aumentar as receitas de commodities e prejudicar uns tantos interesses . O mundo parece que não está à altura da sua história. Parece que ele não está aprendendo com ela. Repete erros .E se omite quando não poderia. Covid tão alto aqui poderia ter sido evitado? Sim! Tragédia na dimensão atual em Petrópolis poderia ser evitada? Sim! A Guerra entre Rússia e Ucrânia poderia ser evitada ? Sim! O que está acontecendo então? A resposta parece é uma só; não se atribui valor suficientemente compensador à vida humana para deixarmos que tantas sejam perdidas, recorrentemente. E os fatos espetaculosos chamam a atenção. Aumentam a audiência e as tiragens. E qual o valor de uma vida humana? Quem teve perdas próximas sabe que este valor é algo que NÃO TEM PREÇO. A pessoa de bom grado trocariam tudo que tem para ter de volta aquela vida, especialmente de jovens. Tendo muito valor para as pessoas atingidas e seus próximos, por que as notícias não ficam em evidência para menos ensejar providências reparadoras mais eficazes? Aí parece que podemos ter um motivo: porque a exposição de novas desgraças, de preferência maiores, podem acender o interesse de outras pessoas no assunto. É um jogo mórbido que a mídia se empenha. Mas tudo leva a crer que é um jogo perdido. Na era das redes e da televisão 24h por dia com cobertura global, nada dura 15 minutos. Ou menos. A reconstrução, a exposição do sofrimento e da esperança tem mais impacto na sustentabilidade do interesse do que a sucessão de fotos de segunda mão que estamos assistindo. A esperança e o sofrimento são o lado humano e não os bombardeios sinistros e espetaculosos. Estes são o lado bestial, estúpido, criminoso. E a midia é importantíssima na re-humanização dos humanos.


 

Homenagem ao combalido Rio de Janeiro



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