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A BARGANHA*




O cheiro bom da boceta limpa, lavada com sabonete. Pensou: parece meio chulo. Pensou: o olor suave da vulva saudável. Pensou: agora ficou muito científico. Riu da frase que lhe veio à mente. O cheiro da xereca em chamas. Rasgou o papel. Pegou outra folha. A música do Caetano não lhe saía da cabeça. Por que não? Seria uma boa referência. Escreveu: o escritor para fugir de seus pensamentos depressivos repetia os versos da canção O Homem Velho – o olor fugaz do sexo das meninas – enquanto rascunhava no papel trechos esparsos de sua nova obra.


Satisfeito com o resultado, pôs-se a buscar conexões com o que havia produzido antes. Porém, por mais que se esforçasse, os textos não se emendavam.


Contou os dias que faltavam para o prazo final de inscrição no concurso literário, o concurso que iria livrá-lo do anonimato, alçá-lo ao mundo exclusivo dos que vencem por seu próprio e especial talento. Multiplicou os dias pelo número de horas livres que sobravam, descontado o tempo gasto no escritório, as horas vazias na condução e os períodos mínimos de sono.


Percebeu que não conseguiria concluir a tempo. Os fantasmas do passado, os medos de adolescente, o peso dos fracassos desabou sobre o seu peito. No fundo de sua consciência surgiu uma possibilidade, uma ideia ainda sem forma. Desenhou com esmero um asterisco e anotou ao lado, feito um mandamento: NÃO DORMIRÁS.


Completou o trabalho no prazo. Inscrito, aplaudido, classificado. Outros autores, sabe-se lá a que custo, apresentaram textos melhores que o seu, reconheceu-o logo. Ficou com um honroso terceiro lugar. Não era suficiente para romper a barreira de invisibilidade a que estão fadados os artistas sem público. De forma alguma poderia largar o emprego que lhe garantia a subsistência para dedicar-se exclusivamente à literatura, como tanto sonhara.


Também não era uma derrota total, daquelas de mergulhar no álcool, não sair da cama e entrar com um pedido de Auxílio-Doença.


A editora que patrocinara o concurso publicou uma coletânea com os dez primeiros classificados. Houve boa repercussão nos meios literários. Algumas resenhas nas poucas revistas que ainda abriam espaço para a arte da escrita. Nas redes sociais, elogios e palavras de incentivo.


Não era o final feliz que havia projetado para o seu personagem, mas mantinha-se possível o sonho.


Numa entrevista à revista virtual CRIATIVOS! declarou: “tenho o maior respeito por cada um que retrato, por cada um que exponho, por seus pedaços de vida postos a público. Até porque não tenho certeza se um outro, um autor, não me descreve ou me determina o destino, conforme sua sede de criação, seu fluxo de imagens e acontecimentos. Nós nos cremos criadores. Talvez sejamos, todas e todos, personagens”.


Jorge Cardozo

*Texto originalmente publicado na Antologia Gueto, lançada em 2023 na Casa Gueto/FLIP/Paraty/RJ.


 

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